0

Compartilhe este conteúdo |
Cena do filme "Rodin"

O centenário da morte daquele que é considerado o maior escultor da história é uma ótima oportunidade para se conhecer mais sua vida e obra. O filme Rodin, escrito e dirigido por Jacques Doillon, no entanto, frustra essa oportunidade com um biopic pouco atrativo, apesar da presença do astro Vincent Lindon no papel-título. No Festival de Cannes deste ano, foi mal recebido pela maior parte dos presentes.  

O longa tem inicio em 1880, quando, anos 40 anos e já bastante conhecido, Auguste Rodin (Lindon) finalmente recebe sua primeira encomenda do Estado: a monumental e complexa Porta do Inferno. Nessa época conhece Camille Claudel (Izia Higelin) uma jovem e talentosa artista que conquista sua admiração e seu coração. Passa, então, a se dividir entre sua esposa, a passiva Rose (Séverine Caneele) e a nova amante que logo exige mais espaço em sua vida, inclusive em seu estúdio. Há poucos momentos fora dessas relações – apenas breves encontros com outros célebres artistas da época, como Claude Monet e Paul Cézanne, pouco explorados.

Poster do filme "Rodin"Enquanto busca a expressão perfeita no mármore para suas ideias, Rodin tem de lidar com questões mais, digamos, mundanas (entenda-se lindas modelos que não resistem ao artista).. E, por estranho que pareça, ele faz tudo com melancolia, tendo quase sempre um ar de cansaço e desencanto, o que vai além da concentração, seriedade e auto exigência que seriam normais em um artista como Rodin, e contamina todo o filme. Já a Camille Claudel de Izia Higelin é ruidosa e descontrolada, nem de longe parecendo uma figura sedutora e genial. Não há praticamente diálogo entre eles, já que Rodin fala para dentro e Claudel grita, o que até seria um embate interessante se não desse a impressão que não foi algo pensado. Parece que o autor do filme aposta naquele velho clichê que grandes artistas são necessariamente almas tortuosas e sofredoras.  

A cenografia e direção de arte seguem a mesma concepção sombria – com poucos momentos de respiro, o que torna toda a narrativa pesada, fazendo crer que as duas horas do filme duram muito mais. No final, Rodin deixa sua declaração artística na forma de uma escultura pouco compreendida do escritor Honoré de Balzac, outro gênio francês que, esperemos não será retratado pelo mesmo realizador.   

Por Gilson Carvalho

Nota 5


Ficha Técnica

Rodin – 121 min
França/2017
Direção: Jacques Doillon
Roteiro: Jacques Doillon
Elenco: Vincent Lindon, Izia Higelin, Séverine Caneele


Estreia 21/09

O Cinema está na Rede e também no Twitter O Cinema está na Rede e também no Facebook

Postar um comentário

 
Top