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Cena do filme "Rifle"
Rifle, de Davi Pretto, tem como cenário uma região pouco vista no cinema brasileiro, os pampas, a ampla e plana região predominante no Rio Grande do Sul e que se estende pelo Uruguai e Argentina. Naquele ambiente isolado onde se passa a história, diversas questões são sugeridas: a violência do agronegócio, o esvaziamento do campo, a solidão, a incomunicabilidade. Infelizmente não tão bem desenvolvidas.  

Dione é um jovem trabalhador rural numa região remota do Rio Grande do Sul. De temperamento fechado, se sente ameaçado pelo interesse de poderosos em adquirir fazenda em que trabalha. Outros moradores mostram-se inclinados a vender a propriedade, o que deixa o rapaz sozinho no seu mundo interior. Durante longos minutos, pouco acontece, a não ser Dione perambulando pelo campo. Quando finalmente resolve agir, é através de um rifle, que usa para atirar nos automóveis que passam velozes na estrada, como uma forma de vingança.

Poster do filme "Rifle"Apesar dessa ação violenta, o que sobressai em Rifle  é a economia: há poucos diálogos e, quando ocorrem, não dizem quase nada diretamente; são pouco mais do que conversas rotineiras sobre o dia-a-dia. O que fala aqui é o silêncio, ressaltado pela amplidão dos espaços naturais. Do mesmo modo, os movimentos de câmera são longos e contínuos, as sequências mostram pouco mais do que o ambiente em que aquelas pessoas vivem com uma abordagem quase documental. A subjetividade está apenas no diálogo interior do personagem principal, Dione, e nas memórias trazidas por algumas fotos e histórias breves que alguém conta.  

A opção por não atores (ou atores não profissionais), se por um lado pode trazer mais “autenticidade”, perde bastante pela falta de experiência do elenco. O protagonista, principalmente,  se desincumbe bem das cenas em que não precisa falar nada, mas quando precisa emitir qualquer som, prejudica o entendimento – e aqui não se trata de sotaque, é incapacidade de interpretar mesmo.

Os destaques vão para a fotografia de Glauco Firpo, que transmite a desolação e o sufocamento que, paradoxalmente, emergem das amplas paisagens dos campos, e o som de Marcos Lopes and Tiago Bello, preciso, criativo e decisivo para a narrativa. Impressiona ainda uma breve cena em que um automóvel em movimento pega foto no escuro da noite, uma imagem bela e quase surreal.

Por Gilson Carvalho

Nota 6


Ficha Técnica

Rifle – 88 min.
Brasil – 2017
Direção: Davi Pretto
Roteiro: Richard Tavares e Davi Pretto
Elenco: Dione Avila de Oliveira, Andressa Nogueira Goularte, Evaristo Pimentel Goularte, Elizabete Farinha Nogueira.

Estreia 03/08

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