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Cena do filme "Eva Não Dorme"
A história de Eva Perón é tão extraordinária que fatalmente chegaria às telas de cinema.  Enquanto vivia, ela mobilizou milhões de argentinos seguidores do peronismo, movimento político fundado por seu marido Juan Perón nos anos 1940. Mas, mesmo depois de sua morte, a presença física de Evita, como ficou conhecida, se manteve  no imaginário da população do país. É isso que conta, de modo bem peculiar, Eva No Duerme, drama escrito e dirigido por Pablo Aguero.

Morta precocemente, aos 33 anos, em 1952, Evita teve seu corpo embalsamado, sepultado, sequestrado, desaparecido e trazido de volta à capital argentina. Assim como quando estava viva, foi usada de forma política e mobilizou a opinião pública. Aguero constrói um filme com tons expressionistas para narrar esse périplo.  

A história começa com Evita já falecida, e é narrada por um raivoso militar interpretado por Gael Garcia Bernal, que se refere à defunta como cadela, fêmea e outros termos pouco lisonjeiros. Embora identificado apenas como Almirante, supõe-se que seja Jorge Videla, sanguinário ditador e um dos responsáveis, entre outras coisas pela Guerra das Malvinas em 1982. Intercaladas com a ficção, impressionantes imagens de arquivo em preto e branco mostram a comoção que foi o cortejo fúnebre pelas ruas de Buenos Aires e o velório no palácio presidencial.

Poster do filme "Eva Não Dorme"O drama é contado em capítulos, iniciando com o embalsamento do cadáver pelo sinistro Dr. Pedro Ara (Imanol Arias). O trabalho meticuloso é mostrado em detalhes e com certa morbidez. O processo é acompanhado à distância por uma faxineira simples, que de alguma forma compartilha o fascínio e a reverência que aquela figura desperta. A seguir, já em 1955, é mostrado a retirada do cemitério e o transporte do corpo em um caminhão militar, dirigido por um estranho coronel (Denis Lavant), auxiliado por um jovem cabo Robles (Nicolas Goldschmidt). A viagem, cercada de segredos, parece ser parte de um complô. A terceira e ultima parte, em 1969, mostra o General Pedro Aramburu (Daniel Fanego), presidente que assumiu o governo no lugar de Perón, deposto por um golpe militar, sendo interrogado por um grupo que se auto proclama revolucionário peronista que busca saber a localização do corpo de Eva.

O elenco é excelente, com interpretações teatrais condizente com a proposta da produção, que lança mão do efeito chiaroscuro e cores sépia, que emprestam grande dramaticidade à perturbadora  história, que ganha um ar mais fantástico com a conclusão em que o satânico narrador admite que eles (os militares?) tiveram de trazer o o corpo de volta, mas prevê algo como o inferno em terras argentinas, tudo causado por aquela que era chamada “A mãe dos pobres” por aqueles que a adoravam;

Por Gilson Carvalho

Nota 8


Ficha Técnica

Eva Não Dorme (Eva No Duerme) – 85 min
Argentina/Espanha/França – 2017
Direção: Pablo Agüero
Roteiro: Pablo Agüero
Elenco: Gael Garcia Bernal, Denis Layant, Daniel Fanego, Imanol Arias, Sofia Brito, Nicolas Goldschmidt, Sabrina Macchi, Ailin Salas.


Estreia: 03/08 

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