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Estreia do filme "Corpo Elétrico"
Noite de quinta-feira chuvosa no Rio de Janeiro e o Cine Arte UFF, em Niterói, região metropolitana, se enche para o lançamento de Corpo Elétrico, um dos filmes nacionais mais esperados dos últimos tempos. Na plateia, o diretor Marcelo Caetano e os atores Kernel Macêdo, Lucas Andrade e Ana Flávia Cavalcanti, além do professor Denílson Lopes, da Escola de Comunicação (ECO) da UFRJ, como mediador, prontos para um bate-papo após a sessão.

Em Corpo Elétrico, Elias (Kelner Macêdo) é um jovem estilista iniciante que trabalha como assistente de Diana (Dani Nefussi) em uma confecção de São Paulo. Vindo do Nordeste, aos poucos ele vai se aproximando dos operários da fábrica enquanto explora sua sexualidade vivendo relações com diversas pessoas. (Clique aqui para ler a crítica).

Denílson Lopes abriu a conversa enumerando diversas questões levantadas pelo longa: gênero, trabalho, família e, principalmente, uma sexualidade vivida de forma livre, sem culpa, por jovens urbanos. Para ele, a abordagem isenta de julgamentos sobre a maneira de viver de Elias e os outros personagens revela uma mudança saudável. Outro ponto positivo é o enfoque em novas relações, pautadas pelo afeto, embora a família ainda compareça, ainda que com outras formulações.

Marcelo Caetano afirmou que inicialmente trabalhou com os atores para esvaziar a função do protagonista, e para isso fez todos exercitarem todos os papéis antes de determinar quem faria o quê. A intenção era fazê-los funcionar como um coro, do mesmo modo que via o Teatro Opinião, quando chegou ainda bem jovem, a São Paulo. Ele disse que muitos aspectos apontados por quem viu o filme não foram pensados, mas que fica feliz quando diversas leituras são feitas.

Kelner Macêdo, que fez o protagonista, disse que o fato de ter um perfil muito semelhante ao do personagem – também é paraibano e foi para São Paulo sem conhecer praticamente ninguém, o ajudou. Além disso, o período de ensaios intensos, em que buscou não interpretar, mas viver como Elias, tornou o trabalho menos difícil. Sobre as cenas de sexo, o que lhe ajudou foi a intimidade conquistada pelo longo convívio com os colegas, que acabaram se tornando amigos.  

Para Lucas Andrade, fazer Wellington trouxe como maior dificuldade lidar com um novo meio: o cinema. Vindo do teatro, disse que demorou um tempo para entender como se colocar em cena, já que era fundamental estar na mira das câmeras. Depois que conseguiu se inserir no espaço cênico, tudo ficou mais fácil.

Dificuldade semelhante teve Ana Flávia Cavalcanti, que interpreta a operária Carla, uma mãe solteira que se interessa por um novo colega, imigrante de Guiné Bissau, Fernando  (Welket Bungué). Essa falta de experiência com o cinema e a necessidade de aprender representou para ela, um crescimento fantástico. Outro problema, ela contou em tom divertido, foi “os perrengues” iniciais com o diretor. É que ele colocou cartas de tarô para todos, menos para ela. Depois de um tempo, ela também foi premiada com a leitura das cartas, que lhe trouxeram um homem dourado.

Para encerrar, Denílson Lopes leu um trecho do poema Eu canto um corpo elétrico (I sing the body electric), do americano Walt Whitman (1816-1892), que inspirou o filme.  


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