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Cena do filme "Tour de France"
Nada mais francês do que Gérard Depardieu. Em ação há cinco décadas, o veterano ator encarna como poucos o espírito gaulês para o mundo.  Mas, novas faces da França começam a surgir, configurando-a como uma nação multicultural. Não sem graves conflitos, porém, tornando mais do que urgente a busca por uma conciliação entre as diversas etnias que habitam o país. É isso que tenta fazer o roteirista e diretor Rachid Djaïdani em Tour de France

Far’Hook (Sadek) é um jovem rapper que, por desavenças com outros rappers,  precisa sair de circulação por uns tempos. Bilal (Nicolas Marétheu), seu produtor, arruma uma viagem para ele fazer. Mas não é a lazer; ele vai conduzir um artista plástico por vários pontos da França. Acontece que o pintor, Serge (Depardieu) é o pai de Bilal e vai fazer esse périplo para cumprir uma promessa a sua falecida esposa: pintar todos os portos que o pintor francês Claude Joseph Vernet retratou no século XVII.

As personalidades opostas e as motivações distintas fazem Serge e Far’Hook viverem diversos momentos de estranhamento, Far’Hook se ressente das indiretas que Serge lança sobre sua origem, insinuando que o jovem não seria francês o suficiente e que muçulmanos seriam perigosos. A bronca de Serge tem uma razão muito pessoal: anos antes seu único filho havia se convertido ao islamismo, adotando um nome árabe, e se tornado o produtor musical Bilal, que não informou a Far’Hook sobre essa questão entre pai e filho.

Poster do filme "Tour de France"Mesmo no piloto automático, Depardieu tira de letra mais esse trabalho. Afinal ele representa mais ou menos quem ele é: um homem idoso, um tanto excêntrico e verborrágico. Nos momentos em que o roteiro é, digamos, ingênuo, ele aciona seu vasto arsenal dramático e o salva. Um dos pontos altos é a imitação caricata que Serge faz de um rapper, sacudindo seu corpanzil e gritando "Yo yo! Bang bang!” Desconhecido por aqui, mas bem popular na França, Sadek também dá conta do recado sem dificuldade, tendo inclusive a chance de brilhar nos momentos em que pratica sua arte: o hip-hop, alternando com situações mais intimistas, inclusive vivendo um breve romance com uma bela moça que encontra pelo caminho.  

Com isso, dá para abstrair o forçado motivo do encontro dos dois personagens que, no final das contas demonstram serem ambos gente boa e até solidários um com o outro quando a situação assim o exige. A previsibilidade do roteiro também acaba sendo digerida melhor do que se imagina, afinal Tour de France defende uma causa pra lá de nobre. E quando a busca pela paz entre diferentes é encenada pelo velho e excelente - como um vinho francês, Gérard Depardieu, só podemos dizer “Vive la France!” em todos os ritmos.

Por Gilson Carvalho

Nota 8



Ficha Técnica

Tour de France
- 97 min.

França, 2017
Direção: Rachid Djaïdani
Roteiro: Rachid Djaïdani
Elenco: Sadek, Gérard Depardieu, Louise Grinberg, Nicolas Marétheu, Mabô Kouyaté, Alain Pronnier, Raounaki Chaudron, Yasiin Bey.

Estreia 13 de julho


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