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Cena do filme "Divinas DIvas"Numa época em que não se falava em identidade de gênero, homens vestiam-se de mulher e ocupavam palcos e outros espaços onde apresentavam shows musicais; geralmente dublagem de cantoras estrangeiras. Eram então chamados de travestis e faziam parte de um mundo alegre e extravagante, características que hoje parecem desassociadas do Rio de Janeiro. Alguns mudaram de sexo, outros não, mas todas eram divas, no palco e na vida. Eram não; são, como mostra o documentário Divinas Divas, de Leandra Leal, que acaba de estrear, após exibições exitosas em festivais.  


Primeira incursão da talentosa atriz na direção, o filme resgata e celebra uma história pouco conhecida pelo público – as vidas e carreiras dessas artistas que até mesmo durante a ditadura militar não se furtaram em viver do jeito que queriam. De quebra, traz um pouco do que era o Rio de Janeiro nas últimas cinco décadas, principalmente no que diz respeito à vida noturna e ao entretenimento.
O tom do documentário é intimista; Leandra é filha e neta de artistas e foi no teatro da família, o tradicional Rival, na Cinelândia, zona boêmia no Centro do Rio de Janeiro, que cresceu,vendo e convivendo com as artistas que protagonizam o documentário, que tem como ponto de partida o registro de um espetáculo comemorativos dos 50 anos de carreira das divas Rogéria, Jane Di Castro, Divina Valéria, Eloína dos Leopardos, Camille K, Fujika de Haliday, Marquesa e Brigitte de Búzios.
Poster do filme "Divinas DIvas"


À medida que acompanha os ensaios, abre espaço para cada uma das artistas apresentarem suas histórias pessoais. Há momentos picantes, como Eloína e seus leopardos, que foi um estouro nos anos 1990 ao apresentar homens malhados inteiramente nus; chocantes, como o relato da internação em uma clínica para problemas mentais sofrido por Marquesa, e outros ternos, como quando Jane Di Castro apresenta seu parceiro de décadas. Mas, o que ressalta é o lado humano de cada uma delas, que viveram intensamente e mesmo sem levantar bandeiras, abriram caminho para as gerações seguintes..  
Como condutora das entrevistas e narradora do filme, Leandra Leal tem, acertadamente, uma atuação discreta, apenas contextualizando e mostrando sua ligação com aqueles personagens. A montagem, que alterna momentos pessoais com trechos dos ensaios, incluindo as picuinhas e piadas, além da participação dos diretores e outros técnicos do projeto, torna o filme dinâmico e atrativo. No final, dá vontade de assistir ao vivo, no palco, aquelas hoje senhoras mas que sempre serão divinas divas.
Por Gilson Carvalho
Nota 9
Ficha Técnica

Divinas Divas – 110 min
Direção: Leandra Leal
Roteiro: Carol Benjamin, Leandra Leal, Lucas Paraizo, Natara Ney
Elenco: Rogéria, Jane Di Castro, Divina Valéria, Eloína dos Leopardos, Camille K, Fujika de Haliday, Marquesa e Brigitte de Búzios.


Estreia 22 de junho

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