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Cena do filme "Paterson"O diretor Jim Jarmusch é conhecido por seu estilo idiossincrático que resulta em um cinema de autor bastante diferente das convenções das produções americanas comerciais, o que pode ser visto em filmes curiosos (estranhos, diriam as más línguas) como Daunbailó e Namorados para Sempre. Paterson, seu novo filme, será portanto uma surpresa tanto para os fãs de carteirinha como para o espectador incauto, que verá nos créditos dessa produção singela o nome de um diretor comumente associado a um cinema mais experimental.

No longa, Paterson é o personagem principal, de pelo menos duas maneiras: é o protagonista (vivido por Adam Driver, queridinho da recente safra de atores do cinema independente americano), um motorista de ônibus que leva uma vida absolutamente comum, e o cenário, uma cidade do mesmo nome. Paterson, o homem, é alguém que vive um dia atrás do outro, contente em reproduzir sua  rotina de trabalho, passeios com o cachorro e ir para casa com sua esposa Laura. Esse delicado cotidiano é perturbado quando ela descobre um caderno de poemas que Paterson vem guardando consigo hà anos; ela tentará, em seguida, fazer com que Paterson desenvolva seu lado artístico, de todas as maneiras possíveis, o que levará o relacionamento a evoluir de maneiras imprevisíveis.

O filme mostra um Jarmusch fiel às convenções do moderno cinema independente americano: uso de atores aclamados pela crítica (Driver e Golshifteh Farahani, que faz o papel de Laura), roteiro fortemente baseado em diálogos, refletindo dramas das cidades pequenas dos EUA (como o recente, e ótimo, Manchester à Beira-Mar). Por meio dessa base bastante familiar, o diretor trabalha, entretanto, alguns temas interessantes, expressos nos personagens de Paterson e Laura: um é metódico, constante, e a outra é expansiva, artística, não tem medo de mudanças. O filme, assim, parece propôr a pergunta do lugar da arte na vida, especialmente uma já tão cheia de preocupações.

Poster do filme "Paterson"Se o filme funciona, é muito por conta de Driver e Farahani; o primeiro é seguramente um dos melhores atores de sua geração, e vem colecionando boas interpretações em filmes tão diferentes como A Balada de Llewin Davis e Silêncio. Seu estilo de 'homem comum' é convincente no papel de Paterson. Farahani, uma estrela do cinema iraniano, já tinha mostrado sua habilidade em Frango com Ameixas, e no papel de Laura, oferece um luminoso contraste ao introvertido Paterson.

Em certos momentos, contudo, o roteiro mostra escolhas fáceis demais, conduzindo a um desfecho um tanto previsível até para os padrões do cinema feel good americano. A opção por entrecortar a narrativa de Paterson com cenas humorísticas povoadas por personagens esquisitos, outra característica em que o filme parece beber da fonte dos Irmãos Coen, tampouco funciona sempre. Filme seguro demais, Paterson será uma decepção para aqueles que esperavam um longa mais experimental; para os demais, pode fornecer uma boa distração.

Por Franco Alencastro

Nota: 7


Ficha Técnica

Paterson (idem) – 118 min.
EUA - 2016
Direção: Jim Jarmusch
Roteiro: Jim Jarmusch
Elenco: Adam Drive, Golshifteh Farahani, Rizwan Manji, Trevor Parham, William Jackson Harper, Frank Harts

Estreia 20/04


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