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Cena do filme "Aliados"Ao se fazer a escolha de um filme em uma ida despretensiosa no cinema, muito se leva em consideração, mas um dos maiores pesos nessa escolha fica a cargo dos atores que estão envolvidos no projeto e também, para alguns, qual é o homem que encabeça a realização da obra. Nesses quesitos Aliados se encaixam muito bem em uma perfeita escolha, com dois atores de renome no atual cenário das produções cinematográficas e um diretor que na quase totalidade de suas investidas, é diversão na certa.

Agora, quando se mergulha realmente neste filme, talvez boa parte daquele entusiasmo seja jogado de lado e o grande filme esperado, não esteja à altura das expectativas. O filme dirigido pelo grande Robert Zemeckis, criador de grandes clássicos, se passa no auge da segunda grande guerra, onde nossos grandes atores estão na pele de dois espiões em missão, na capital do romance, mistério e charme, assim apontada pela própria história do cinema, Casablanca. Lá eles se conhecem e em meios aos planos de execução de um figurão nazista, o flerte acontece apesar das resistências de Max Vatan, o personagem de Brad Pitt. Marianne Beausejour, encarnada lindamente por Marion Cotillard, se revela além de bela e charmosa, uma mulher de intenso carisma e extremamente envolvente, e é nesse âmago que se encontra o poder da história.

Cotillard mais uma vez mostra seu grande talento para o drama, com uma personagem misteriosa e com conflitos internos. Fica até estranho vê-la no início do filme correndo e manuseando armas, não mostrando um grande traquejo para investidas em cenas com maior ação. A obra se baseia quase exclusivamente na relação desses dois personagens quando posto em voga o dilema que não vale ser mencionado aqui, com um seguro Brade Pitt, interpretando um homem que tem que lutar contra seus próprios sentimentos pessoais, para solver um dilema que pode consumir sua sanidade.

Poster do filme "Aliados"A maior parte do filme se passa em uma Londres sempre vigilante, graças aos sucessivos ataques alemães, mas também festiva e progressista, onde vemos uma irmã homossexual de Max Vatan forte e resoluta. A trama apesar de buscar ser intensa e trazer o espectador para um dilema complexo, não faz nenhum membro da plateia se contorcer da cadeira de ansiedade e consternação, falta nela elementos para tornar a trama mais envolvente. Falta carisma ao casal, em certos momentos vemos um Brad Pitt seco sem grandes mergulhos na interpretação do personagem, ou uma melhor elaboração do roteiro, para darem aos espectadores melhores peças no quebra-cabeça da história.

O filme possui mais baixos do que altos, começa com uma historia ampla de um casal de espiões em ação em plena segunda guerra, e depois descamba para uma relação de espionagem caseira, sem uma explicação eficaz do porque o filme tomou as proporções que vemos no segundo e terceiro ato. E embora o final possa surpreender, se colocar a cabeça pra pensar, era o final esperado depois de tantos rumos confusos que a história tomou. Vale observar à rápida, porém grande presença do ator Jared Harris, interpretando um militar superior de Vatan, Harris é um excelente ator com um rosto, voz e trejeitos incríveis, um sujeito sempre valioso nos personagens que assume. E curiosamente o ator August Diehl, mais uma vez interpretando um oficial alemão desconfiado desde o filme, Bastardos Inglórios.

Por Lucas Scalioni

Nota: 6,0


Ficha Técnica

Aliados (Allied) – 125 min.
EUA 2016
Direção: Robert Zemeckis
Roteiro: Steve Knight
Elenco: Brad Pitt, Marion Cotillard, Jared Harris, Lizzy Caplan, Matthew Goode, Charlotte Hope, August Diehl

Estreia 16/02
 
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