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Cena do filme "Manchester à Beira-Mar" O diretor Kenneth Lonergan conseguiu criar um fenômeno com seu mais recente filme, Manchester à Beira-Mar, indicado a prestigiosos prêmios da crítica, como o de Melhor Roteiro e Melhor Diretor no Globo de Ouro em cima de um orçamento de filme independente (8,5 milhões de dólares). O filme se passa entre as cidades de Manchester e Boston, na Nova Inglaterra, capturada friamente pela fotografia de Jody Lee Lipes. Lee Chandler (Casey Affleck) é um zelador e faz-tudo que vive uma vida ordinária e tediosa, repetindo as mesmas tarefas diariamente – a montagem que mostra a rotina entorpecedora de Lee inicia o filme em grande estilo, mas mais está por vir. Lee descobre a morte de Joe, seu irmão, por uma doença cardíaca; Joe deixou no mundo um filho adolescente, e, em seu testamento, a intenção de que Lee cuide dele. 



Com seu mundo virado de ponta cabeça, Lee precisa ajudar o sobrinho Patrick a lidar com o luto ao mesmo tempo em que, envolto com depressão, enfrenta seus próprios demônios. O filme se alterna entre sequências passadas nos dias atuais e flashbacks que revelam pouco a pouco como Lee passou de um tio alegre e bonachão ao personagem triste que precisa cuidar do sobrinho. 


Poster do filme "Manchester à Beira-Mar"Repousa nesse ponto talvez o melhor aspecto do filme: a excelente atuação de Casey Affleck como Lee, às voltas com o luto, a depressão e engajando em um comportamento autodestrutivo (entrando em frequentes brigas de bar) que parece ser o único momento em que consegue viver de verdade. O olhar inexpressivo de Affleck na maioria das cenas poderia atrair a crítica de que se trata de atuação pouco exigente, mas basta vê-lo na cena em que cruza na rua com sua ex-esposa (Michelle Williams, em participação tão curta quanto brilhante) para deixar de lado acusações tão levianas. Affleck está, é verdade, cercado de um excelente elenco onde cada um se destaca à sua maneira, seja Lucas Hedge como o sobrinho lidando com os problemas típicos da adolescência, ou Gretchen Mol como a ex-esposa de Joe, uma ex-alcóolatra que tenta recuperar a guarda do filho contra o desejo de Lee.  

Um filme medidativo e humano, Manchester à Beira-Mar pode desagradar alguns por seu ritmo um pouco arrastado e longa duração, de duas horas e vinte; mas é inegável que se trata também de uma grande obra que o cinema americano, em sua recente lua de mel com a ficção científica e os filmes de super-herói, parecia ter se tornado incapaz de produzir. Poderoso em sua melancolia, é um dos melhores filmes do ano que se inicia, provando que se pode celebrar a vida por meio do luto.

Por Franco Alencastro

Nota: 9


Ficha Técnica

Manchester à Beira-Mar
EUA, 2016
Direção: Kenneth Lonergan.
Roteiro: Kenneth Lonergan.
Elenco: Casey Affleck, Michelle Williams, Kyle Chandler,  Lucas Hedges, Gretchen Mol, C.J. Wilson, Tom Kemp, Tate Donovan

Estreia: 19/01
 

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