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Cena do filme "A Criada"
Ao longo de 15 anos, Park Chan-wook construiu a reputação de ser um cineasta maneirista e ousado, destacando-se no cenário internacional com filmes com forte violência. É o caso de Oldboy (2003), seu primeiro longa a fazer sucesso global, foi até refilmado por Spike Lee nos Estados Unidos dez anos, sem tanto êxito. Por isso, seus filmes são sempre aguardados com ansiedade, inclusive nos festivais mais prestigiosos, como Cannes.
Agora ele comparece com A Criada, um thriller de época com um toque de erotismo. Inspirado no romance Na Ponta dos Dedos, da britânica Sarah Waters, mas transporto para a Coreia de 1930, quando o país estava sob controle japonês, a história é contada em três partes, cada uma a partir do ponto de vista dos três personagens centrais.
A Criada começa como um melodrama que tem como mote a luta de classes. Sooke (Kim Tae-Ri), um jovem coreana, é selecionada para servir a uma rica herdeira japonesa, Hideko (Kim Min-Hee), que vive em um palacete sob os rígidos cuidados do seu tio e futuro marido, um colecionador de livros raros e amante da literatura erótica.. O que se descobre a seguir é que na verdade Sooke é aliada do Conde Fujiwara (Ha Jung-woo), um falso nobre que está de olho na fortuna da ingênua Hideko. O plano deles é Sooke conquistar o afeto de Hideko e influenciá-la para que esta se case com Fujiwara, em troca de uma considerável soma.
Na segunda parte, a mesma história é narrada pela perspectiva de Hideko, e na terceira, pelo conde fajuto. Todas com uma fluidez narrativa e viradas que prendem o espectador até o fim, mesmo com uma duração acima da média (2h30m), que passam sem quase se sentir. Além de saber contar uma história, Chan-wook se vale de décor suntuoso, música precisa e fotografia rica, proporcionando uma experiência completa.
Mas nada disso funcionaria tão bem se o elenco não fosse excepcional. O trio central, principalmente as duas atrizes demonstram versatilidade e química ímpares, até mesmo nas cenas de amor e sexo, que vêm sendo comparadas às protagonizadas pelas atrizes Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux no premiado Azul É A Cor Mais Quente (2013), de Abdellatif Kechiche. Por tudo isso, A Criada é o indicado da Coréia do Sul ao Oscar de filme estrangeiros, com grandes chances de triunfar. Vamos torcer.
Por Gilson Carvalho
Nota 10
 Ficha Técnica

A Criada (The Handmaiden)151 min.
Coréia do Sul – 2016
Direção: Park Chan-wook
Roteiro: Park Chan-wook, Seo-kyeong Jeong baseado em romance de Sarah Waters
Elenco: Kim Min-hee, Kim Tae-ri, Ha Jung-woo, Jin-Woong-Cho

Estreia 12/01
  
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