0

Compartilhe este conteúdo |

Cena do filme "Assassin's Creed"É fato conhecido que, nas últimas duas décadas, Hollywood tem submetido a população mundial a adaptações questionáveis de alguns dos jogos eletrônicos mais populares: de Resident Evil a Hitman, é quase impossível encontrar um longa que saia da mediocridade. Nesse panorama desalentador, a série Assassin's Creed, com seu intrigante enredo que mistura ficção histórica com um enredo de conspiração a la Dan Brown, sempre pareceu a exceção que fugiria a regra: o jogo já tinha um enredo pronto para ser transformado em um filme capaz de agradar uma platéia normalmente não muito afeita aos videogames. Deve ser por isso que a 20th Century Fox decidiu investir pesado nessa adaptação, orçada em US$ 125 milhões e contando com o talento de atores premiados como Marion Cotillard, Michael Fassbender e Jeremy Irons.


A disposição de não se prender demais ao universo dos jogos se revela também na trama do filme, que não é uma adaptação direta de nenhum dos jogos da série, inspirando-se ao invés disso em elementos de cada um. Na trama, Fassbender é Cal Lynch, um assassino condenado à morte que é resgatado pela misteriosa companhia Abstergo. A cientista Sophia (Cotillard) conecta Cal com um de seus antepassados por meio de um aparelho, o Animus, que o leva a reviver a vida de Aguilar de Nerha, um membro da lendária Ordem dos Assassinos, que combate a Inquisição Espanhola em 1492. As cenas em que Cal entra na pele de Aguilar servem para montar combates elegantemente coreografados pelo diretor Justin Kurzel (do fraco Macbeth, também estrelado por Fassbender).

Poster do filme "Assassin's Creed"De fato, é na direção de arte e em toda a parte visual que o filme, bastante inventivo, ganha pontos; no entanto, por volta da metade do filme, certa fórmula começa a ser perceptível: Cal vai ao passado, luta, retorna ao presente e descobre mais um pouco sobre o mistério que cerca a rivalidade entre os Assassinos e a Ordem dos Templários, a misteriosa organização por meio da qual Alan Rikkin (Irons) tenta controlar o mundo. A resolução dos mistérios introduzidos pela trama é levada a cabo por diálogos expositivos e pouco inspirados, que neutralizam o impacto das inspiradas cenas de batalha. O trio principal de atores pouco consegue fazer frente a um roteiro que deixa a desejar e que opta por concluir a história bem no momento em que um clímax poderia acontecer, entregando aos espectadores um final decepcionante.

Uma produção pujante e visualmente arrebatadora, Assassin's Creed pode vir a ser o marco zero de uma nova tendência de adaptações de videogames sendo levadas mais à sério por Hollywood. Porém, como todo marco zero, o filme tem defeitos importantes que, espera-se, serão sanados nas próximas adaptações do tipo, inclusive da própria franquia que, conforme o final do filme indica, já estão programadas para acontecer.

Por Franco Alencastro

Nota: 7


Ficha Técnica

Assassin’s Creed – 116 min.
EUA/ França
Diretor:
Justin Kurzel
Roteiro: Brian Lesslie, Adam Cooper, Bill Collage
Elenco:
Marion Cotillard, Michael Fassbender, Jeremy Irons, Brendan Gleeson, Charlotte Rampling, Michael K. Williams
Estreia: 12/01




O Cinema está na Rede e também no Twitter O Cinema está na Rede e também no Facebook

Postar um comentário

 
Top