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Cena do filme "Armas na Mesa"
Se há uma profissão, se assim se pode dizer no âmago da certeza, que causa um real furor nas entranhas do jogo político estadunidense são os chamados lobistas. Essas peças misteriosas, que com suas artimanhas, fazem girar os velhos eixos da política na capital norte-americana. O filme Armas na Mesa tenta, através de um fragmento desse cenário gigantesco de inquisições, trazer luz a trama capciosa que se faz debaixo da saia do governo.

Logo no início, vemos a talentosa e sempre potente atriz Jessica Chastain no papel da lobista bem sucedida Elizabeth Sloane, dizendo ou quase entoando um breve resumo do que consistia a profissão de lobista, mencionando que a habilidade e a probabilidade de sucesso, se baseiam em antecipar os movimentos do adversário. Ao encarar como um jogo de cartas, uma disputa por votos no congresso, por maior ou não controle na obtenção de armas por qualquer cidadão americano, alterando assim a 2ª Emenda da magna constituição, é posto ao enredo do filme a posição necessária e altamente questionável do lobista dentro dessa batalha, aflorando nesse interim os verdadeiros e sujos anseios dos políticos envolvidos.

A trama criada pelo bom diretor John Madden é intensa, verborrágica e exige uma alta atenção do espectador, para não se perder frente aos fervorosos diálogos e as inúmeras viradas da história. Tudo parece ser uma peça que movimenta o jogo ao quais os personagens estão inseridos, onde absolutamente ninguém parece estar a salvo de ser usado, no objetivo de sair vitorioso de emplacar ou não uma nova lei.

Cena do filme "Armas na Mesa"O filme também possui uma premissa bem intricada ao que os Estados Unidos vêm vivendo nos últimos anos, com sucessivos ataques com armas de fogo em lugares comuns ao convívio social, como escolas, shoppings e praças, e assim não deixa de possuir um discurso bastante crítico ao modelo de obtenção e manuseio de armas atualmente. Fica claro que tais críticas não vão ao cerne da questão, com a profundidade que um assunto como este merece, porém o filme é bastante pertinente em colocar os reais motivos pelos quais um político comum encaminha seus votos, não necessariamente seguindo sua consciência ou aos anseios de seus eleitores, mas sim interesses financeiros e pessoais.

O filme possui uma montagem precisa, criando níveis de tensão em variados momentos, fazendo o uso de uma trilha sonora contida e de um excelente elenco de apoio. Os diálogos apesar de serem muito bem demarcados e as vezes antinatural, são muito bem escritos e abastecidos de bastante carga intelectual, sendo o ponto alto da obra.

O timing de um filme como esse ao chegar às salas de cinemas no Brasil não poderia ser mais perfeito, onde se enfrenta atualmente um enredo quase cinematográfico das estripulias de uma centenária política corrupta com o talvez, maior caça as bruxas de sua história, com o desejo de cada cidadão de que semelhante ao filme, parte de toda sujeira ao menos, seja deixada às claras.

Por Lucas Scalioni

Nota: 7,5


Ficha Técnica

Armas na Mesa (Miss Sloane) – 132 min.
EUA/França - 2016
Diretor: John Madden
Roteirista: Jonathan Perera
Elenco: Jessica Chastain, Mark Strong, John Lithgow

Estreia 2/2
 
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