0

Se aproximando do inverno nos Estados Unidos e também do período das grandes premiações do cinema americano, algumas gratas surpresas tendem a aparecer nas salas de cinema. Algumas produções do cenário independente tomam maiores projeções em virtude de suas histórias inventivas e muito bem contadas, que se encaixam muito bem nos anseios dos ávidos críticos. Esse é o caso de Animais Noturnos.

Em seu segundo longa metragem, Tom Ford abusa dos mais diversos elementos de gênero, inclusive do horror, para impregnar em sua obra uma tensão inerente que vaga por todo filme. A trama tem seu mote criado, quando a especialista em arte Susan (Amy Adams) recebe o manuscrito de uma história criada por seu ex-marido Edward (Jake Gyllenhaal), após muito tempo de qualquer tipo de contato com o escritor.

A partir desse ponto o filme se passa em três camadas distintas. O contemporâneo com Susan novamente casada e infeliz, o passado do antigo casal contado em flashbackse assim, mesclados ao universo ficcional, da história visceral e violenta criada pelo livro intitulado de Animais Noturnos, contada num espaço distinto. O filme repleto de estilismos e elementos cênicos, desde movimentos de câmeras bem lentos, enquadramentos precisos e até as roupas exuberantes, poderia até causar confusão mental ao trabalhar em três espaços tempo distintos, mas o roteiro aliado a uma boa montagem não se deixam perder o fluxo narrativo.

Poster do filme "Animais Noturnos"O filme baseado em um romance contemporâneo chamado Tony and Susan de Austin Wright possui naturalmente uma potência na narrativa, em uma história repleta reviravoltas e vigor que atraem qualquer tipo de expectador. Porém há um certo didatismo em algumas sequências, onde as camadas temporais dentro do filme dialogam entre sim de maneira muito clara e as vezes redundante, explicitando um mesmo evento inúmeras vezes, talvez com medo de que o expectador se perca ao longo do caminho. Mas ainda sim, sem os maneirismos que assolam o cinema clássico narrativo americano, onde tudo deve ser muito bem e devidamente explicado sem deixar nenhum quebra cabeças para seu publico tentar remontar.

Um dos inúmeros elogios que Animais Noturnos merecem, fica a cargo do refinadíssimo elenco. Amy Adams além de sua inocente beleza, carrega nos olhos uma tristeza de quem possui um peso do passado, sendo um ponto vital para segurar uma trama tão cheia de substância. Jake Gyllenhaal vêm cada vez mais se encontrando em tela, escolhendo belos roteiros e amadurecendo como ator desde os excelentes O Homem Duplicado e O Abutre. Mas a mais grata surpresa fica a cargo do sempre preciso ator Michael Shannon que interpreta o detetive debilitado e bonachão do interior do Texas, que investiga o crime brutal contado no livro em que Susan lê. Há também que se lembrar do novo queridinho de Hollywood, Aaron Taylor-Johnson que se sai muito bem na pele de um caipira depravado.

Por Lucas Scalioni

Nota: 8,0


Ficha Técnica

Animais Noturnos (Nocturnal Animals) – 117 min.
EUA - 2016
Direção: Tom Ford
Roteiro: Tom Ford, baseado em romance de Austin Wright
Elenco: Jake Gyllenhaal, Amy Adams, Aaron Taylor-Johnson, Michael Shannon

Estreia 29/12


O Cinema está na Rede e também no TwitterO Cinema está na Rede e também no Facebook

Postar um comentário

 
Top