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O novo filme do célebre diretor italiano Marco Bellochio traz uma lição para os aspirantes a diretor por aí: Às vezes é melhor contar uma história bem do que duas mal. Sangue do Meu Sangue começa com uma trama passada em um período não-especificado, no convento-prisão de Bobbio (cidade natal do diretor e cenário de alguns de seus filmes). O capitão Federico Mai (Pier Giorgio Bellochio, filho do diretor) retorna para o vilarejo onde nasceu após descobrir a notícia do suicídio de seu irmão, o que resultou para ele em um enterro na vala comum; O padre Cacciapuoti, contudo, conta a Federico de um plano: o capitão precisa obter da mulher de seu falecido irmão uma confissão de que estava possuída pelo demônio e enfeitiçou o marido para que ele se suicidasse. Ocorre que Benedetta, a esposa (a bela Lidiya Liberman, em sólida atuação), reconhece em Federico o rosto de seu marido e se apaixona por ele. Os dois, então, começam a planejar a sua fuga.

Essa novelesca história (e, de fato, a produção tem momentos que lembram as novelas de época da Globo) é conduzida com firmeza pelo diretor. O clima de repressão sexual no convento é explorado com eficiência para construir uma crítica à Igreja Católica, e partes da produção – em especial a trilha sonora - impressionam.

Isso até a metade do filme.

O longa transporta o espectador abruptamente para os dias atuais, onde o decrépito convento-prisão benefícios sociais, em uma cidade onde quase todos se declaram loucos, cegos ou surdos. O vampiro (!) Conde Basta também está na mira do inspetor pois não paga pensões à sua ex-esposa. 
recebe uma proposta de compra por um bilionário russo. Do seu lado, está o inspetor Mai (novamente Bellochio), que vem para a aldeia de Bobbio como parte de uma campanha do governo para rever A esdrúxula mistura de crítica à austeridade e fantasia dessa segunda parte nunca convence, assim como o constrangedor flerte do diretor com a comédia pastelão. A despeito das tentativas de amarrar as duas metades do filme (com a reaparição de alguns atores em novos papéis indicando uma rala mensagem sobre reencarnação ou imortalidade), a diferença de tom e temática entre as duas partes nunca cria um todo coerente e conduz o filme ao fracasso. Isoladamente, cada uma das histórias renderia uma obra com algumas qualidades; tomadas em conjunto, no entanto, formam uma indigesta mistura de gêneros e estilos tão decadente quanto a Itália pós-crise que o diretor tanto quer retratar.

Por Franco Alencastro

Nota: 5


Ficha Técnica

Sangue do  Meu  Sangue (Sangue Del Mio Sangue) – 107 min.
Itália /França/Suíça - 2016
Direção: Marco Bellochio
Roteiro: Marco Bellochio
Elenco: Roberto Herlitzka, Pier Giorgio Bellochio, Lidiya Liberman, Alba Rohrwacher, Federica Fracassi, Toni Bertorelli, Filippo Timi 

Estreia 1/12


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