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Cena do filme "Elis"
Desde que começou a onda de cinebiografias de grandes astros da música brasileira, um filme sobre Elis Regina estava nos planos. Após um longo período de gestação e dúvidas sobre se o filme chegaria aos cinemas – cogitou-se o lançamento em formato de minissérie na Globo – os espectadores poderão conferir o resultado final, chamado simplesmente Elis.

O filme segue cronologicamente a trajetória da lendária cantora e intérprete – da ida ao Rio de Janeiro com o pai, quando era ainda apenas uma menina gaúcha com sonhos de sucesso, até a sua trágica morte em 1983. Nas duas horas entre esses dois eventos, uma carreira de altos e baixos, problemas conjugais, drogas e músicas brilhantes. O resultado é algo muito próximo das cinebiografias típicas do cinema americano, em que o protagonista saído da pobreza alcança a glória. 

Não que isso seja ruim: a aparente simplicidade do arco de vida da cantora (e estamos, afinal, falando de uma história real) é enriquecida por um roteiro de alta qualidade assinado por Luiz Bolognesi, com diálogos ágeis que situam o espectador no contexto social e cultural dos anos 60 e 70. Marcam presença o golpe de 1964, a censura dos Anos de Chumbo e a rixa entre a MPB e o Rock ‘n Roll. Os papéis distribuídos aos grandes personagens que cercaram Elis ao longo da vida são também explorados a fundo por atores em alta forma, como Gustavo Machado (que interpreta um cafajestíssimo Ronaldo Bôscoli, primeiro marido de Elis) e Lúcio Mauro Filho como Mièle.

Poster do filme "Elis"Todos, é claro, servem de apoio ao furacão que é Andréia Horta no papel-título. Desde os primeiros segundos do filme fica evidente o seu impressionante trabalho de atuação, cópia perfeita da cantora em seu jeito de cantar e em sua inconfundível risada. Essa arrebatadora performance é o ponto alto do filme e fica já como a melhor do ano para o cinema nacional.

O filme tampouco tem vergonha de abordar polêmicas, como a apresentação da cantora a uma platéia de militares em plena ditadura, que serve de mote, no filme, para um memorável embate com o cartunista de esquerda Henfil (e para a canção O Bêbado e o Equilibrista, uma de suas mais conhecidas). Com o poder de fogo de uma impecável trilha sonora (o que, convenhamos, era esperado) e apesar de um final um pouco arrastado, Elis é um triunfo e inscreve sua atriz principal e o estreante diretor Hugo Prata entre os nomes a se acompanhar no cinema nacional.

Por Franco Alencastro

Nota: 9



Ficha Técnica

Elis – 115 min.
Brasil, 2016
Direção Hugo Prata
Roteiro: Luiz Bolognesi, Vera Egito, Hugo Prata
Elenco: Andréia Horta, Caco Ciocler, Gustavo Machado, Lúcio Mauro Filho, Natália Rodrigues, Zecarlos Machado, Julio Andrade, Rodrigo Pandolfo.

Estreia 24/11

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