0

Compartilhe este conteúdo |


Cena do filme "Conexão Escobar"Não estão em falta, hoje, obras tratando do universo do tráfico de drogas, mais especificamente dos cartéis colombianos: os leitores sem dúvida estão familiarizados com a história do mega-traficante Pablo Escobar por pelo menos duas obras, a série colombiana El Patrón del Mal e a produção americana Narcos, da Netflix (com um aportunholado Wagner Moura no papel de Escobar). No rastro desses sucessos, surge Conexão: Escobar.  Uma coisa importante a se dizer é que o título em português não passa de um golpe de marketing para capitalizar em cima do sucesso de Narcos, já que Pablo Escobar aparece mesmo em uma única cena e não possui falas no filme, embora seu espectro ronde a trama.


O que o filme perde na mão pesada do marketing, contudo, ele ganha em outros aspectos. Se o tema não é exatamente original, por outro lado a obra inova com relação a produções semelhantes pelo ponto de vista utilizado: o de um agente da alfândega, Robert Mazur (papel do sempre excelente Bryan Cranston, de Breaking Bad), que se infiltra no Cartel de Medellín fingindo ser um homem de negócios que ganha a confiança da organização criminosa lavando seu dinheiro nos EUA.  

"Conexão Escobar" consegue ser interessante ao abordar uma história já explorada


Mazur gradualmente se aproxima dos traficantes, conquistando a amizade do chefão Roberto Alcaino (Benjamin Bratt) e constrói para si uma vida falsa (incluindo uma esposa de mentira, papel de Diane Kruger), tornando cada vez mais tênue a linha que separa seu personagem de quem ele realmente é. Mazur precisa, assim, correr contra o tempo para juntar provas suficientes para derrotar o Cartel - antes que ele o engula por completo.

Poster do filme "Conexão Escobar"É nesse jogo psicológico que residem os momentos mais interessantes de Conexão: Escobar, baseado em um livro escrito pelo próprio Mazur (que também assina a produção, junto com Bryan Cranston). A excepcional atuação de Cranston dá corpo às cenas em que Mazur se vê prisioneiro de sua vida dupla, e merece estar no panteão das atuações de filmes sobre criminalidade.

Outros aspectos fortes incluem uma direção apurada por parte de Brad Furman, que mistura sequências mais lentas e tensas com montagens estilizadas que retratam o estilo de vida do Cartel, embaladas por uma polpuda trilha sonora da Era Ploc. O elenco de apoio, até nos menores papéis, é outro ponto positivo, com destaque para o exuberante e excêntrico traficante interpretado por Yul Vasquez. Todos esses elementos contribuem para tornar Conexão: Escobar uma das melhores surpresas do ano.

Por Franco Alencastro

Nota: 9


Ficha Técnica

Conexão Escobar (The Infiltrator) - 127 min.
EUA -  2016
Diretor: Brad Furman
Roteiro: Ellen Brown Furman, baseado na obra de Robert Mazur
Elenco: Bryan Crangston, Diane Kruger, John Leguizamo, Benjamin Bratt, Amy Ryan

Estreia: 15/09
 
 
 

Compartilhe este conteúdo |

O Cinema está na Rede e também no Twitter O Cinema está na Rede e também no Facebook

Postar um comentário

 
Top