0


Cena do filme "Mãe só há uma"A diretora Anna Muylaert volta a abordar o tema da maternidade no seu novo longa, Mãe só há uma. Depois do enorme sucesso de Que horas ela volta?, indicado pelo Brasil para concorrer ao Oscar de filme estrangeiro, a expectativa era enorme. Pelas reações do público na pré-estreia realizada na noite de terça-feira, 19 de julho, no Cine Arte UFF, em Niterói – RJ, a carreira do filme será longa e exitosa. O filme estreia no dia 20 de julho, quinta-feira, em grande circuito. 

Mãe só há uma é um drama urbano, livremente baseado na história de Pedrinho, menino que foi roubado na maternidade e recuperado pela família biológica 17 anos depois.  Na história de Anna, além dessa violenta ruptura, Pierre/Felipe (Naomi Nero) começa a fazer uma transição de gênero.  Por isso, o drama é contado a partir da visão desse adolescente, ficando os outros lados da história em segundo plano. Também no elenco estão Dani Nefussi e Matheus Nachtergaele, que fazem seus pais.

Muito aplaudida no debate que se seguiu à projeção, Anna disse que foi a primeira vez que assistiu ao filme todo em um cinema no Brasil, e confessou que estava um pouco apreensiva. A recepção tirou qualquer dúvida sobre a compreensão da história pelo público. “Quis falar sobre essa geração que vive novas formas de sexualidade e relacionamento.”  Com baixo orçamento – o filme custou R$ 1,5 milhão, um terço de Que horas ela volta?,a diretora quis fazer um filme mais autoral.

Cena do filme "Mãe só há uma"
Por isso, optou por uma narrativa “seca”, em que “uma ação levava a uma reação, sem muitas  A câmera na mão, a luz natural, os diálogos    reforçam essa abordagem realista. Um dos destaques é a fotografia da uruguaia Barbara Alvarez, que não usa iluminação artificial, com quem trabalhou também em Que horas ela volta?. Anna explicou que escolhe cuidadosamente a equipe com quem desenvolve seus projetos, para estar cercada de profissionais que entendam suas escolhas, mas que se necessário, se impõe no set de filmagem. 

Perguntada sobre a pouca representatividade de negros no elenco, ela admitiu a ausência e afirmou que na verdade essa é uma de suas preocupações. E adiantou que seu próximo filme será sobre machismo, um problema que percebe como endêmico na sociedade brasileira.  Apesar disso, não rotula sua carreira como “ativista”. Para ela, os filmes já cumprem essa função de denunciar os problemas sociais. “Se as pessoas conseguirem entender o que está por baixo daquilo que veem na tela, já fico realizada.”


Compartilhe este conteúdo |

O Cinema está na Rede e também no Twitter O Cinema está na Rede e também no Facebook

Postar um comentário

 
Top