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Cena do filme "O Bom Gigante Amigo" O Bom Gigante Amigo é uma adaptação em live action do livro infantil homônimo. O filme traz um enredo simples - que certamente agradará as crianças e aqueles cujo livro fez parte de suas infâncias -, uma estética limpa (marca de filmes semelhantes da Disney) e boas interpretações.
Na história, Sophie (Ruby Barnhill) é uma criança órfã que passa seus dias em um sombrio orfanato inglês, até que em uma noite ela vê um gigante na rua. Não podendo deixá-la contar o que testemunhara para outros humanos, o ser a rapta, levando-a para a terra dos gigantes. Lá, Sophie descobre que há outros gigantes muito maiores e ainda, que são malvados comedores de gente. A menina começa a gostar do seu sequestrador e quer ajudá-lo a se livrar dos seus conterrâneos, bolando um plano que envolve até a Rainha da Inglaterra.

Mesmo com um roteiro simplório e fraco, Spielberg consegue fascinar

Com direção assinada pelo veterano Steven Spielberg, O Bom Gigante Amigo é a adaptação cinematográfica do livro infantil homônimo escrito pelo autor de A Fantástica Fábrica de Chocolates e Matilda, Roald Dahl, em 1982. O Bom Gigante Amigo também é o nome do personagem coadjuvante da história, tendo seu nome resumido para BGA, interpretado via motion capture por Mark Rylance.
As atuações de Mark Rylance como BGA e de Ruby Barnhill estão muito boas no filme. O motion capture dos gigantes foi muito bem executado, em especial o trabalho com as expressões do rosto do BGA. Através dos efeitos especiais impressionantes de duas grandes empresas do ramo, Weta e Industrial Light & Magic, o gigante amigo ganha a empatia que o personagem precisa, sem esquecer, é claro, do trabalho de Rylance que transcende a tecnologia e chega até nós.
Poster do filme "O Bom Gigante Amigo"O filme teve vários desafios no que diz respeito ao personagem-título. Furtivo e cartunesco quando está no mundo dos humanos, atrapalhado e introspectivo quando está em sua casa ou em seu laboratório criando sonhos, o BGA é um personagem complexo, demandando técnica e interpretação igualmente complexas. Em adição ao corpo e expressividade do BGA, há também sua linguagem própria – quase como fez Lewis Carrol nas aventuras de Alice – que mistura as palavras da língua humana, brilhantemente bolada por Roald Dahl e habilmente externada por Rylance.
Além da fala atrapalhada, o BGA é um outsider. Sua estatura muito menor do que a dos irmãos gigantes e seu amor pelos humanos que o tornara vegetariano (tendo substituído a carne de humanos por nojentas abobrinhas gigantes), o fazem sofrer bullying. Tudo isso faz com que BGA, que começara o filme como um sequestrador de criancinhas, seja um personagem que causa empatia.
O roteiro de O Bom Gigante Amigo tem plot points muito fracos e as resoluções dos desafios são muito fáceis e rápidas. O filme é muito simples e as reviravoltas da trama são previsível, o que pode até passar despercebido pelas crianças, mas pode chegar a ser enfadonho para os adultos. Os personagens dos outros gigantes tem uma construção muito fraca em vista do seu potencial de ameaça e sua possivelmente rica história pregressa, mas são mal explorados, sendo só bobões que brincam de carrinho, dormem na grama e têm medo de água.
O Bom Gigante Amigo é um filme bonito e certinho, com piadas de flatulência e grandes lições de moral ao molde Disney. Tudo estaria perdido, mas o diretor é Spielberg, um exímio contador de histórias que transforma o livro em filme com maestria. Sua direção polida traz para a tela a terra dos gigantes, criando um mundo fantástico e onírico (assim como BGA faz em seu ofício) explorado por planos e sequências belas que transmitem essa sensação de sonho.
Por Otávio Lima
Nota 7,5


Ficha Técnica
O Bom Gigante Amigo (The BFG ) - 117 min.
EUA/Reino Unido/Canadá – 2016
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Melissa Mathison, baseada na obra de Roal Dahl
Elenco: Mark Rylance, Ruby Barnhill, Penelope Wilton, Jemaine Clement, Rebecca Hall
Estreia 28/07
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