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Cena do filme "Paulina"
O filme argentino Paulina, com Dolores Fonzi no papel-titulo e direção de Santiago Mitrechega às telas dos cinemas brasileiros num momento oportuno, logo após um estupro coletivo no Rio de Janeiro ter chocado o país e o mundo.  A diferença é que a protagonista, uma jovem advogada de elite, decide tentar entender por que sofreu tal violência, deixando todos (a platéia, inclusive) atônitos.

Baseado numa produção de 1960, que mostrava uma jovem professora portenha de classe alta decidida a fazer a diferença dando aulas num subúrbio da capital, teve a ação transferida para uma região problemática do país: a fronteira tríplice com Brasil e Paraguai.  Lá, é estuprada pelos próprios alunos e, contrariando todas as expectativas, enfrenta o pai Fernando (Oscar Martinez), um juiz poderoso, o noivo Alberto (Esteban Lamothe), além de toda a comunidade e decide manter a gravidez resultante do estupro.

"Paulina" coloca questões importantes para se tentar entender a sociedade e a chamada "cultura do estupro"


Poster do filme "Paulina"Em sua busca pelo que está por trás do crime, Paulina descobre que os agressores são conhecidos e até tenta se comunicar com eles. O pai e o noivo não entendem sua atitude e defendem punição exemplar aos criminosos.  Paulina diz que não quer encontrar culpados, mas a verdade. E qual seria a verdade? A pobreza, a desigualdade, a falta de comunicação, a ausência do Estado, o machismo? Ninguém sabe, nem Paulina, que parece atordoada e perdida. Na delegacia, as perguntas costumeiras: como estava vestida? Havia bebido? O que estava fazendo na rua àquela hora? Apesar disso, a jovem permanece firme em sua intenção de tentar compreender a situação. 

Se o objetivo era causar uma discussão, o filme é bem-sucedido. O tema e a forma como é abordado causam desconforto e questionamentos. Se é obvio que nenhuma violência pode ser justificada, será que ao menos não há a possibilidade de a responsabilidade ter várias origens? 


A estética é realista, quase documental e Dolores Fonzi tem um desempenho contido, mas comovente e perfeitamente adequado ao tom do filme. Os coadjuvantes também estão otimos, com destaque para Oscar Martinez no papel do papel protetor mas que respeita as decisões da filha, e Esteban Lamothe, como um confuso e revoltado noivo. Paulina foi premiado com o Grande Prêmio da Semana da Crítica no Festival de Cannes 2015 e Melhor Atriz no Prêmio Fênix 2015. 

Por Gilson Carvalho

Nota 8


Ficha Técnica

Paulina (La Patota) - 113 min.
Argentina - 2016
Direção: Santiago Mitre

Roteiro: Mariano Llinas, Santiago Mitre
Elenco: Dolores Fonzi, Oscar Martinez, Esteban Lamothe, Cristian Salguero, Laura Lopez Moyano


Estreia 16/06

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