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Cena do filme "Mistress America"Nos últimos anos, Noah Baumbach, diretor de Mistress America, que  acaba de chegas às telas do Brasil,  tem ganhado destaque no meio do cinema independente norte-americano por seus filmes com diálogos extensos e parcialmente improvisados pelos atores. Isso já rendeu comparações de Baumbach com outro diretor: Woody Allen, também nova-iorquino, mas as comparações não terminam aí.

Os personagens dos filmes de Baumbach, jovens urbanos de classe média na casa dos vinte e poucos anos e formação em humanas, não estariam longe de casa em um filme de Woody Allen; como Allen, Baumbach passa quase todos os seus filmes em Nova Iorque; como Allen, Baumbach reutiliza sucessivamente os mesmos atores; como Allen, Baumbach explora as questões existenciais e os relacionamentos amorosos típicos de sua geração. Na verdade, Baumbach pode quase ser entendido como um Woody Allen para a “geração Y”. Os personagens que povoam seu universo cinematográfico são ninguém menos que os infames hipsters, a nova subcultura jovem obcecada com objetos e moda retrô. Não é diferente em Mistress America.

"Mistress America": comédia de Noah Baumbach traz influência de Woody Allen 


Poster do filme "Mistress America"No longa, Tracy (Lola Kirke) é uma garota de 18 anos, caloura em uma faculdade de Letras em Nova Iorque. Sua mãe está se casando com um novo namorado, e sua mãe sugere que tente conhecer a filha dele, que será sua nova irmã postiça, Brooke (Greta Gerwig, a protagonista epônima de Frances Ha, de Baumbach). Ousada, extrovertida e mais velha, Brooke termina por fascinar Tracy, que coloca seu cérebro de escritora para funcionar e transforma a irmã em um conto (a ‘Mistress America’ do título), que pretende usar para entrar em uma prestigiosa sociedade literária. O combustível do longa é a ambiguidade nessa relação entre Tracy e Brooke: Estaria Tracy se aproveitando de Brook, ou é admiração genuína o que Tracy tem por ela?

Recheado de humor sutil sobre a diferença entre gerações, e de suaves alfinetadas à Geração Y por sua inconstância nos relacionamentos e na vida profissional, Mistress America, contudo dificilmente converterá quem já não gosta dos filmes de Baumbach. Na verdade, Baumbach parece ter copiado outro trejeito de Woody Allen, explorando sucessivamente o mesmo universo (que ele já visitara em Frances Ha e Enquanto Somos Jovens) por uma nova lente. Se o resultado final é competente, o espectador ainda assim fica se perguntando quantas vezes vale a pena assistir ao mesmo filme.

Por Franco Alencastro

Nota: 8


Ficha Técnica

Mistress America - 94 min.
EUA - 2015
Diretor: Noah Baumbach
Roteiro: Noah Baumbach, Greta Gerwig
Elenco: Greta Gerwig, Lola Kirke, Heather Lind, Michael Cherus, Kathryn Erne, Cindy Cheung

Estreia: 19/11


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