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Coletiva "Muitos Homens Num Só"
Os atores Vladimir Brichta, Alice Braga, Caio Blat e Sílvio Guindane, além da diretora Mini Kerti e do produtor Flávio Tambellini receberam a imprensa carioca no dia 9 de junho num hotel de Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro, para falar de Muitos Homens Num Só, romance com tintas policiais que será lançado no dia 25 de junho. No elenco estão ainda Pedro Brício, Luiz Carlos Miéle e César Troncoso.

Baseado na obra do jornalista e escritor João do Rio, o longa conta a história de Artur Antunes Maciel, conhecido como Dr. Antonio (Brichta), um ladrão habilidoso que se hospeda em hotéis do Rio de Janeiro do início do século XX para realizar furtos. Num desses golpes, se apaixona por Eva (Braga), casada com o ganancioso e machista Jorge (Pedro Brício). No encalço do criminoso está Félix Pacheco (Blat), que testa novas técnicas de identificação, para incredulidade do jornalista Paulo Barreto (Guindane).

A diretora Mini Kerti, que estreia na direção de longas, disse que teve a ideia de adaptar o romance Memórias de um Rato de Hotel, de João do Rio, assim que o leu, há dez anos. Seu principal interesse foi o personagem principal, Dr. Antonio, um marginal sedutor, pouco frequente no cinema. Para tornar a história mais instigante, incluiu personagens de outras obras do escritor, como Eva, e até um jornalista baseado no próprio. Apesar das dificuldades de se fazer um filme de época – muitas locações eram rigidamente vigiadas, devido à fragilidade e importância histórica, ela disse que não podia ser de outra forma: “Um personagem como Dr. Antônio não poderia existir nos dias de hoje.”

Para o intérprete do Dr. Antonio, Vladimir Brichta, um dos grandes desafios foi respeitar o fato de ser a história de uma pessoa real, do início do século passado, mas sem ficar refém da época. “Não temos muita referência do comportamento, o modo de falar. Na literatura, é mais freqüente a língua culta, o que não ficaria bom nesse caso. Isso me deu mais liberdade, mas também trouxe riscos”, afirmou.

Caio Blat também sentiu a pressão de interpretar uma pessoa real, ainda mais sendo um homem relativamente conhecido, como Félix Pacheco. Para ele, a introdução do personagem foi bastante pertinente, já que realmente foi contemporâneo do Dr. Antônio. Ele acha que o fascínio que o criminoso exerce é uma coisa bem brasileira. “As pessoas se apaixonam pelo malandro, torce pelo 
ladrão charmoso e inteligente. É uma inversão ética.”

Sílvio Guindane disse que não conhecia a obra de João do Rio, mas que leu bastante e a partir daí trabalhou de forma orgânica, deixando o tom surgir ao longo dos ensaios. Ele destacou o excelente clima durante as filmagens, principalmente o fácil entrosamento com Caio Blat, que divide com ele a maioria das cenas. “É o terceiro filme que fizemos juntos que lançamos só este ano”, brincou.  

Alice Braga se encantou com Eva assim que leu o roteiro. Para ela, a personagem é uma mulher à frente do seu tempo, uma artista que desejava ter liberdade, possibilidade trazido por Dr. Antônio. “Ele também era um homem que queria viver livremente, mas ao se apaixonar por Eva percebe que precisa fazer escolhas.”, disse. A atriz afirmou que embora seja um policial, o longa também conta uma delicada história de amor. Ela considera ainda que é uma bela homenagem a João do Rio e à própria cidade do Rio de Janeiro.

Esse aspecto também foi destacado pelo produtor Flávio Tambellini, que acredita que uma das funções do cinema é resgatar lugares da cidade que muitas vezes não são vistos pelos seus habitantes. “O filme pode fazer as pessoas verem que um lugar existe e deve ser valorizado.”


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