0

Compartilhe este conteúdo |

Cena do filme "Amor à Primeira Briga"
Uma comédia sem gargalhadas, um romance sem paixão, um filme de apocalipse sem desastres.  Amor à Primeira Briga, produção francesa escrita (com Claude Le Pape) e dirigida por Thomas Cailley, é tudo isso e mais. E é bom. Não surpreende que tenha recebido importantes prêmios, como melhor primeiro filme e roteiro em Cannes e nos Cesar, 

Arnaud (Kèvin Anaïz) é um jovem que se encontra naquele momento em que precisa tomar decisões que vão afetar todo o resto de sua vida. A morte recente do pai e as pressões do irmão o impelem a assumir um lugar na carpintaria da família, mas ele ainda não está seguro do que quer. Até que, numa situação bem incomum, conhece Madeleine (Adèle Haenel), uma moça robusta que só não o derrota na luta livre na praia porque ele a morde.

Esse primeiro encontro desajeitado revela as características dos dois e meio que define o tipo de relação que vão ter: ela é forte e competitiva; ele é frágil e indeciso, e eles parecem não ter nada em comum. Mas Kèvin e Madeleine voltam a se ver quando ele vai fazer um serviço na casa dela e a recepção que recebe não é das melhores. As diferenças sociais parecem afastá-los: ela é rica e só pensa em treinar para se preparar para o fim do mundo, que acredita estar próximo; ele é um aprendiz de carpinteiro sem talento e convicções na vida. Pouco a pouco, porém, eles se aproximam e passam a ser amigos – ainda meio à distancia, já que ela é masculinizada e ele, introspectivo. Tudo muda quando ele decide acompanhá-la a um treinamento militar por duas semanas.  


"Amor à Primeira Briga" coloca em cheque os papéis tradicionais na sociedade 


Poster do filme "Amor à Primeira Briga"“Os Combatentes” - título original do filme, é como os dois jovens podem ser vistos: eles lutam para se impor num mundo hostil e sem esperança, apesar das ideias aparentemente absurdas dela e da falta de habilidade dele, têm a seu favor impetuosidade e liberdade próprias da juventude, que tornam possível crer num futuro. Mas, que fique claro, um futuro diferente do que se imaginou até agora, já que a história de Cailley espertamente coloca em cheque as noções de masculino e feminino e de bem-estar. 

A graça vem da naturalidade dos protagonistas em situações bizarras; como, por exemplo, num jantar na casa de Kèvin, Madeleine, que faz mestrado em macroeconomia, cita diversos números para justificar sua certeza de que o fim do planeta está próximo. Esse tom absurdo injetado pelo roteiro e a direção é o grande trunfo do longa. Há metáforas perfeitamente adequadas à sua proposta, como a das queimadas no campo na região onde moram.   

Outro aspecto admirável é o trabalho dos atores. Adèle Haenel está ótima na pele da moça bruta, que no fundo quer encontrar segurança. Kèvin Anaïz, por sua vez, faz Arnaud com doçura e inocência no olhar, clamando por proteção e que no final se descobre como pessoa ao encontrar Adèle, seu oposto

Em seu longa de estreia, o roteirista e diretor Thomas Cailley mostra um olhar original e habilidade em contar uma história de modo diferente, permitindo antever uma carreira longa e repleta de obras interessantes. 

Por Gilson Carvalho

Nota 8.5


Ficha Técnica

Amor à Primeira Briga (Les Combattants) – 98 min.
França – 2014
Direção: Thomas Cailley
Roteiro: Thomas Cailley e Claude Le Pape
Elenco: Adèle Haenel, Kèvin Anaïz,
Antoine Laurent, Brigitte Roüan. 

Estreia: 02/04


O Cinema está na Rede e também no Twitter O Cinema está na Rede e também no Facebook

Postar um comentário

 
Top