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Cena do filme "Simplesmente Acontece"
Livre adaptação do romance homônimo (Where Rainbows End, no original) de Cecelia Ahern, Simplesmente Acontece é uma das comédias românticas mais esperadas neste início de 2015, tanto pelos fãs do livro como pelo extenso grupo de admiradores do elenco.

Rosie (Lily Collins) e Alex (Sam Claflin) são melhores amigos desde os cinco anos de idade. Inseparáveis, cresceram juntos e sempre mantiveram a amizade acima de tudo, ainda que houvesse certa atração entre eles. Acontecimentos inesperados, oportunidades perdidas e decisões tomadas tratam de afastá-los. Alex muda-se para os Estados Unidos para estudar medicina em Harvard; Rosie não quer estragar os planos e a felicidade do rapaz com seus problemas pessoais. A trajetória dos dois jovens se distancia, mas o destino – e os sentimentos – insiste em atraí-los.

“Simplesmente Acontece”: carente de substância e de qualquer profundidade


Bem no estilo “conto de fadas moderno”, desde o início somos expostos aos encontros e desencontros dos jovens protagonistas, cujo objetivo principal parece residir em fazer dos expectadores uma massa de torcedores fervorosos pela união de Rosie e Alex. Carisma, de fato, eles têm; no entanto, isso não é o suficiente para sustentar o filme.

Enxurradas de acontecimentos vão sendo despejados, um após o outro, numa apressada maratona sem muitos porquês. Se houve preocupação com uma real coerência dos fatos, certamente não foi excessiva – ao menos não o bastante para convencer o expectador. Como consequência da pressa, a superficialidade acaba sendo inevitável. Tudo é visto “por cima”, como que filtrado e incansavelmente resumido.

Poster do filme "Simplesmente Acontece"
Lily Collins tem charme e um jeito atrapalhado que conquista, mas algo parece impedir o amadurecimento de sua personagem; ainda que Rosie se transforme numa mulher, ainda é possível ver claramente a adolescente insegura nela. Talvez isto se deva à trama, que não perde a atmosfera teen nem mesmo para abordar assuntos mais sérios e que exigiriam alguma porção de profundidade. Não, o filme permanece na segurança das águas rasas em sua totalidade.

Como adaptação, a situação não melhora. Apenas vislumbres do livro podem ser vistos no filme, que tenta – sem sucesso – simplificar a intrincada história do casal protagonista. O caráter epistolar – comunicação via cartas e mensagens dos mais variados tipos, o aspecto mais interessante do livro – não teve presença marcante, o que seguramente será fator de decepção para muitos.

Apesar de tudo, o filme não é de todo ruim. A fotografia transmite frescor, os personagens são carismáticos e a trilha sonora tem sua irreverência, além da meiguice das cenas românticas. Já é alguma coisa. Em alguns momentos, parece querer lembrar o belo Um Dia (Lone Scherfig), só de leve, mas a verdade é que não chega nem aos pés.

Quando falta o substancial, o jeito é se deixar levar e colocar um esforcinho extra para ser convencido. Leve e otimista, Simplesmente Acontece pode até agradar aos fãs de comédias românticas. Para os que, independentemente do gênero, buscam por uma trama sólida e surpreendente em qualquer nível... Sinto muito, é o que tem para hoje.

Por Aline T.K.M.

Nota 5


Ficha Técnica

Simplesmente Acontece (Love, Rosie) – 102 min.
Reino Unido, Alemanha – 2014
Direção: Christian Ditter
Roteiro: Juliette Towhidi
Elenco: Lily Collins, Sam Claflin, Christian Cooke, SukiWaterhouse, Jaime Winstone, Lily Laight

Estreia: 05/03


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