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Contadores de histórias invariavelmente dão bons personagens e é isso que vemos em O Duelo, filme dirigido por Marcos Jorge e estrelada pelo português Joaquim de Oliveira e José Wilker, em seu último trabalho. Baseado no romance Os Velhos Marinheiros, de Jorge Amado, mantém pouco do sotaque do escritor baiano, mas nem por isso deixa de ser uma comédia bem brasileira, saborosa e divertida.  

Periperi, pacata cidadezinha do litoral baiano, vê uma novidade: um velho lobo do mar se instala no lugar, vindo da capital. Trata-se do Comandante de Longo Curso Vasco Moscoso de Aragão (Almeida) que logo conquista a simpatia dos moradores por sua habilidade de contar histórias que invariavelmente, versam sobre suas conquistas profissionais e amorosas. A admiração conquistada por Vasco desperta a inveja de Chico Pacheco (Wilker), até então o contador de histórias do lugar, que o acusa de ser um mentiroso.  A partir daí, a pequena cidade fica dividida entre partidários do forasteiro e aqueles que se mantêm fiéis a Chico.

Disposto a provar que tem razão, Chico vai à capital e levanta todo o passado de Vasco, que tem sua credibilidade abalada A redenção do comandante vem através da possibilidade de comandar um navio de cruzeiro de Periperi até o Rio de Janeiro. Nessa viagem, além de se tornar um verdadeiro comandante, ele conhece o grande amor de sua vida, uma passageira chamada Clotilde (Patricia Pillar). Mas, como ele, ela também tem um segredo. Assim, mais uma vez, vemos duas versões de uma mesma história.

Presença de José Wilker, em seu último trabalho, torna o "O Duelo" mais interessante


Um dos atrativos é, sem dúvida, a presença de José Wilker, em sua última atuação no cinema. Seguro, divertido e esfuziante, está perfeito no papel. Joaquim de Almeida também consegue atrair todos os olhares para suas aventuras, assim como os personagens secundários, como Márcio Garcia, amigo que o ajuda a conquistar o tão sonhado título de comandante de longo curso; Tainá Müller, como a musa de suas histórias; Cláudia Raia, em dupla função: cafetina e madre superiora, e Patrícia Pillar, como uma mulher triste e sozinha, objeto de um amor tardio.

Além disso, há ótimos efeitos visuais, utilizados para materializar as histórias contadas pelo capitão Vasco, que transformam o ambiente em que está no local onde se passam as aventuras. A direção de arte também faz um trabalho muito feliz, com muitos detalhes bem resolvidos, ajudando a evocar o clima que se tenta passar.

O que atrapalha, de certa forma, é o excesso de causos, já que cada um deles tem duas versões, tornando o longa um pouco cansativo. Também não se vê o duelo propriamente dito, já que em apenas uma seqüência os dois concorrentes se enfrentam diretamente.

Por Gilson Carvalho

Nota 7


Ficha Técnica

O Duelo – 110 min.
Brasil – 2012
Direção: Marcos Jorge
Roteiro: Marcos Jorge, baseado em romance de Jorge Amado
Elenco: Joaquim de Almeida, José Wilker, Claudia Raia, Tainá Müller, Patrícia Pillar, Márcio Garcia, Maurício Gonçalves.



Estreia: 19/03


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