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Cena do filme "Selma - Uma Luta Pela Igualdade"
Martin Luther King Jr. é um dos homens mais importantes da história norte-americana. Sua luta pelos direitos dos negros, seus famosos discursos, sua morte trágica são conhecidos por todos. O drama Selma – Uma Luta pela Igualdade, de Ava DuVernay traz à cena um episódio menos explorado, mas extremamente importante na sua trajetória: as marchas no estado do Alabama pelo direito ao voto.

Em 1965, uma série de conflitos em Selma, cidade a cerca de 80 quilômetros de Montgomery, capital do estado, atraiu Martin Luther King e seu grupo. Embora oficialmente o voto já fosse um direito assegurado, as autoridades locais negavam o registro eleitoral aos negros. Isso se tornou uma nova e importante frente de batalha para King. Além das brutalidades e humilhações que as pessoas comuns sofriam, outra dificuldade que King teve de encarar era  a divisão no próprio movimento; enquanto alguns concordavam com a política de não-violência, outros queriam partir para um confronto armado. 

Embora centrado na figura de King, Selma não é um filme biográfico. No entanto, é possível traçar um retrato bem nítido de sua personalidade: ele era um homem extremamente inteligente que, acima de tudo, pensava politicamente. Assim, os ganhos e as perdas das minorias que ele defendia eram resultado de intensas negociações, inclusive com o presidente da República, Lyndon Johnson (Tom Wilkinson), que se via pressionado tanto pelos defensores dos direitos universais quanto pelos conservadores que não aceitavam as mudanças sociais. King também sabia atrair a imprensa para suas causas, percebendo, já na década de 1960, a importância da média para o sucesso de sua empreitada. 


"Selma - Uma Luta Pela Igualdade" narra um importante capítulo da história americana 


Do ponto de vista narrativo, Selma é um filme convencional; o roteiro é linear, seguindo o tempo cronológico. Os diálogos têm, muitas vezes, um tom grandiloquente e pesado. A direção, embora segura, também não inova, além de apelar a recursos básicos como closes para ressaltar a importância do personagem principal e planos gerais nas cenas de multidão, não esquecendo de mencionar a trilha musical, melodramática e previsível. 

Poster do filme "Selma - Uma Luta Pela Igualdade"A grande inovação é exatamente o modo como King é retratado. Apesar de estar sempre no olho do furacão, raramente perdia o auto-controle - mesmo quando era agredido fisicamente ou via sua família sob ameaça. Nesse sentido, a interpretação minimalista de David Oyelowo é perfeita. O ator consegue, através dos olhos, das expressões faciais passar a gravidade e a urgência da situação que enfrenta. O tom de voz e as inflexões que ele consegue imprimir nos discursos correspondem exatamente à memória que temos do político americano. O restante do numeroso elenco é bastante competente, com destaque para Carmen Ejogo, com Coretta, esposa de King, e Tim Roth, como o racista governador George Wallace. 

No momento em que se vê conflitos raciais acontecerem em diversas cidades americanas, como Nova York e Ferguson (Missouri),  pensar que as marchas de Selma aconteceram há 50 anos é se dar conta de que ainda há muitas batalhas pela frente e, certamente, a figura carismática de Martin Luther King faria uma grande diferença.

Por Gilson Carvalho

Nota 8,5



Ficha Técnica

Selma – Uma Luta Pela Igualdade (Selma) – 122 min.
EUA – 2014
Direção: Ava DuVernay
Roteiro: Paul Webb
Elenco: David Oyelowo, Tom Wilinson, Carmen Ejogo, Giovanni Ribisi, Lorraine Toussaint, Common, Cuba Gooding Jr, Tim Roth, Oprah Winfrey

Estreia:  05/02


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