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Cena do filme "James Brown"James Brown - o Rei da Soul Music, como era conhecido, teve uma vida cheia de altos e baixos, como a maioria dos grandes artistas.  Nasceu em um lugar muito pobre, foi abandonado pela mãe, agredido pelo pai, foi preso, casou-se várias vezes, teve muitos filhos, usou drogas, cantou em lugares pequenos e outros enormes, inventou um jeito de dançar, vendeu mais de 100 milhões de discos. Tudo isso poderia ser material para se fazer um grande filme, coisa que o diretor Tate Taylor não conseguiu.  

O longa James Brown  foi co-produzido por Mick Jagger, que teve um breve primeiro encontro com o cantor no inicio da carreira de ambos, em 1968, quando Brown abriu um show para os Rolling Stones. Essa força do líder de uma das mais longevas e marcantes bandas da história não resultou necessariamente em uma boa produção. O problema começa pelo roteiro de Jez e John-Henry Butterworth, que não diz a que veio. Não há um arco dramático definido, apenas um desfilar de fatos, nem sempre interligados.

“James Brown” mostra a genialidade do artista, mas não conta sua história apropriadamente 


A estrutura narrativa é montada como um quebra-cabeças, com diversas peças se encaixando ao longo da história, o que às vezes se torna confuso. Começa em 1988, quando Brown invade uma reunião de vendedores de plano de saúde e dá um tiro de rifle para o alto. Depois, recua vinte anos e o mostra em um pequeno avião militar a caminho do Vietnã, para entreter as tropas americanas. Nada contra flash-backs, mas o vai- e-vem atrapalha a compreensão.

Poster do filme "James Brown"Outro recurso discutível é fazer o personagem se dirigir à platéia e narrar algumas passagens de sua vida, incluindo momentos extremamente dramáticos. Questões pessoais cruciais em sua trajetória, como o relacionamento tumultuado com a mãe (interpretação sensível de Viola Davis) ou com sua banda, ou ainda com seu parceiro e melhor amigo Bob Byrd (Nelson Ellis) ganham certo relevo, mas não são aprofundados.

Há, obviamente, aspectos positivos. De muito bom, temos o desempenho do protagonista Chadwick Boseman, que segura bem a difícil tarefa de interpretar Brown da juventude à maturidade e ainda tem uma presença de palco impressionante, digna do grande artista. Ele mostra como o rei do soul se comunicava não só com a voz, mas também com o corpo, em passos de dança geniais.  A música também se destaca, com seus grandes hits, como Papa’s Got a Brand New Bag, I Feel Good, It’s a Man’s Man’s Man’s World, Sex Machine, Get On Up (título original do filme). Que sirva ao menos para reacender o interesse no grande Brown, único em sua forma de expressão e ídolo de muitos outros artistas. 

Por Gilson Carvalho


Nota 7



Ficha Técnica
James Brown (Get On Up) – min.
EUA  - 2014
Direção: Tate Taylor
Roteiro: Jez Butterworth
Elenco: Chadwick Boseman, Nelsan Ellis, Viola Davis, Dan Aykroyd, Leenie James, Fred Melamed, Octavia Spencer, Jill Scott

Estreia: 05/02


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