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Cena do filme "Cinquenta Tons de Cinza"
Um fenômeno literário, com mais de 100 milhões de cópias vendidas, Cinquenta Tons de Cinza, de E.L. James era uma das mais aguardadas adaptações dos últimos anos. O filme chegou aos cinemas de todo o mundo nesta quinta-feira, frustrando as expectativas de quem esperava um romance caliente e estimulante.

Cinquenta Tons de Cinza é asséptico, inodoro, incolor. Tudo é controlado, premeditado, censurado. Parece um comercial de TV dirigido a todos os públicos, tendo assim que tomar cuidado para não ofender ninguém. O centro da trama, as práticas sexuais, digamos “alternativas”, do personagem-título prometem mais do que acontecem e o Sr.Cinza (Grey) do título tem muito menos nuances do que o esperado.

Anastasia Steele (Dakota Johnson) vai entrevistar Christian Grey (Jamie Dornan)  na sede de sua corporação. A atração é imediata, mas ela não crê que tenha chance com o bilionário. Para sua surpresa, porém, ele passa a cortejá-la e os dois acabam se envolvendo. Até que ela descobre que ele é adepto de práticas sexuais diferentes da “normalidade.” Apaixonada, Anastasia aceita submeter-se às formas diferentes de fazer sexo, como uma tentativa de entender a personalidade do jovem empresário. 

"Cinquenta Tons de Cinza" tem menos nuances e é menos excitante e transgressor do que promete


Poster do filme "Cinquenta Tons de Cinza"Embora atraente, Jamie Dornan não projeta o carisma que Christian Grey, seu personagem, exige.  Nesse sentido, Dakota Johnson se sai melhor como Anastasia  Steele, jovem estudante de literatura inglesa, inicialmente tímida e sonhadora, que pouco a pouco vai penetrando no misterioso mundo de perversidades sexuais do namorado. Mas se o crédito de atuação razoável pode ser dada à atriz, não se pode atribuir apenas ao ator sua sofrível colaboração. O problema é que não há história, não há drama, não há quase nada com que se trabalhar. Christian Grey é “perturbado de cinquenta diferentes maneiras”, como ele mesmo diz ao tentar explicar a Anastasia o motivo de se deleitar com fetiches do tipo espancamento, bondage e similares, mas não há qualquer indicação do por quê. Além disso, o que parece é que na visão da autora, ele é um pervertido, um anormal, só estando livre para exercitar esse desvio de conduta por ser bilionário e, portanto, acima da lei. Aliás, para a maioria das pessoas, ele é um grande partido,  imagem cultivada por ele, que se comporta como um cavalheiro em público, e ainda por cima dá de presente computadores, carros, passeios de helicópteros. No fim, não se entende se ele é perfeito ou perfeitamente idiota.

Obviamente, uma produção desse tipo, que visa a capturar o público já conquistado pela obra literária, é muito mais responsabilidade da empresa produtora do que da direção. Ainda assim, Sam Taylor-Johnson poderia (?) ter amenizado certos clichês e mudado alguns diálogos embaraçosos. A trilha sonora, de boa qualidade, a direção de arte, muito bem cuidada e o elenco secundário são pontos positivos. Resta esperar as continuações para saber se Anastasia vai se entregar de verdade aos prazeres da carne.
  
Por Gilson Carvalho

Nota 3


Ficha Técnica

Cinquenta Tons de Cinza (Fifty Shades of Grey) - 125 min.
EUA - 2015
Direação: Sam Taylor-Johnson
Roteiro: Kelly Marcel, baseado no romance de E.L. James
Elenco: Dakota Johnson, Jamie Dornan, Eloise Mumford, Victor Rasuk, Marcia Gay Harden, Jennifer Ehle

Estreia: 12/02



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