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Cena do filme "O Físico"
Um épico baseado no romance de Noah Gordon, O Físico chega às telas brasileiras precedido de grande expectativa que, infelizmente não é justificada. A saga do jovem que viaja de Londres ao coração do Império Persa para se tornar um médico oferece menos do que promete, chegando a ser cansativa e confusa, com sua profusão de sub-temas e narrativa vacilante em alguns momentos.  

Inglaterra, século XI. Em plena Idade das Trevas, um barbeiro (Stellan Skarsgård) faz às vezes de médico, mais charlatão do que cientista. Um garoto que vê sua mãe morrer sem poder fazer nada, decide se tornar aprendiz do barbeiro, que está pouco a pouco perdendo a visão. Com a intervenção de sábios judeus, ele tem sua cegueira curada. Isso faz com que aquele jovem, agora já crescido Rob Cole (Tom Payne) tenha desejo de aprender a verdadeira medicina, e parte em uma viagem ao outro lado do mundo, em direção à Pérsia, atrás do melhor médico conhecido, Ibn Sina (Ben Kingsley).

Durante a longa e penosa jornada através de toda Europa e do deserto, Cole quase perde a vida, conhece e deixa escapar seu amor e, milagrosamente, chega a seu destino, onde vai enfrentar outras dificuldades, como a impossibilidade de realizar autópsias, devido a questões religiosas. Por outro lado, faz amizades e descobre habilidades  até então insuspeitas.

Uma boa premissa mal aproveitada faz de “O Físico” uma obra maçante e confusa


Instigante em seu tema e no seu prólogo, O Físico perde fôlego ao longo de seu desenvolvimento.  A questão apresentada inicialmente – o surgimento da medicina,  perde espaço para triângulos amorosos e disputas de poder. O aspecto paranormal não parece adequado à abordagem historicista proposto.  A duração de duras horas e meia cansa.

A direção de Phillip Stolzl flutua de acordo com o andamento da narrativa; segura em alguns momentos, frouxa em outros. No elenco, destaca-se Skarsgard, enquanto o protagonista Payne não chega a brilhar, e Ben Kingsley faz outra vez um papel freqüente em sua carreira. A direção de arte, importante em uma produção do gênero, também padece de altos e baixos, mas a fotografia é bastante atraente.
Poster do filme "O Físico"
Apesar de ser rodado em inglês e ter um elenco multinacional, O Físico é uma produção alemã. A explicação é que o livro de Noah Gordon, lançado em 1986, teve pouca repercussão nos Estados Unidos, seu país de origem, mas tornou-se best seller na Alemanha e Espanha, para só depois ganhar o mundo.  Ainda que seja animador ver produtores europeus se arriscando no gênero, talvez a empreitada tenha sido grande demais para eles. Esse fato nos faz pensar: será que um grande estúdio hollywoodiano não daria um tratamento mais adequado ao material? Há diversos exemplos de épicos bem sucedidos (e alguns fracassos também, a bem da verdade), geralmente resultado de adaptações de obras literárias portentosas. 

Um detalhe, apenas curioso para alguns, significativo para outros é o próprio título da obra. Em inglês, The Physician significa O Médico, nome adotado na maioria dos mercados. No Brasil, não se sabe por que o livro foi lançado como O Físico, e o filme também.

Por Gilson Carvalho

Nota 4


Ficha Técnica

O Físico (The Physician) – 150 min.
Alemanha – 2013
Diretor: Philipp Stolzl
Roteiro: Jan Berger,  baseado em romance de Noah Gordon
Elenco: Tom Payne, Stellan Skargard, Ben Kingsley, Olivier Martinez, Emma Rigby, Elyas M’Barek, Dominique Moore, Stanley Townsend

Estreia: 09/10



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