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Cena do filme "Tim Maia"
Um dos maiores cantores brasileiros ganha sua cinebiografia. Tim Maia, de Mauro Lima, apresenta a trajetória do "Mestre do Soul", como muitas vezes foi chamado, desde sua infância pobre na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro, até sua morte, em 1998, praticamente no palco.

A rica e conturbada vida de Tim Maia pedia, há muito tempo, uma produção para o cinema.  Cheio de altos e baixos, mas talentosíssimo e muito original, o artista é dos mais festejados pelo público e pela crítica, mesmo depois de 16 anos de sua morte. O filme certamente atende a essa lacuna, embora, em muitos aspectos não esteja à altura do personagem.

Baseado no livro Vale Tudo: O Som e a Fúria de Tim Maia, de Nelson Motta, o drama mostra a vida de Sebastião Rodrigues Maia, que foi primeiro Tião da Marmita, enquanto acalentava o sonho de se tornar músico. Suas primeiras tentativas de obter sucesso, junto a Roberto e Erasmo Carlos, no grupo Os Sputniks; o período em Nova York;  os relacionamentos amorosos; a busca espiritual, as drogas, o álcool; o fundo do poço, e a tentativa de voltar à cena, todas as fases de sua vida estão lá.

"Tim Maia" presta uma homenagem justa ao artista, mas não está a sua altura


Poster do filme "Tim Maia"O maior acerto é a escalação de Robson Nunes e Babu Santana para representar Tim jovem e maduro, respectivamente. Ambos abraçam o personagem com paixão e o resultado é um retrato sincero e humano. O restante do elenco, embora competente, não têm oportunidade de  apresentar um trabalho consistente, devido à pouca presença de seus personagens, com exceção de  Janaína (Alinne Moraes), paixão de  Tim e mãe de seus filhos, e Fábio (Cauã Reymond),  músico e melhor amigo do cantor.

O recurso do narrador, desempenhado por Reymond, é eficiente, mas simplista e, no caso de Tim Maia, frequentemente excessivo. A decisão de abarcar toda a vida do artista, dos 5 aos 55 anos, torna a produção longa demais e inclui sequencias denecessárias como o curto contato com a bossa nova, na figura de Nara Leão, representada por Mallu Magalhães. Alguns momentos são engraçados; exemplo é a forma como Roberto Carlos é retratado, enquanto outros instantes têm o peso da dor e abandono que o artista enfrentou como resultado de sua instabilidade emocional.

Os números musicais são excelentes e dão uma pequena amostra do poderio de Tim no palco e como compositor. No final, fica a vontade de ouvir o vozeirão do "Síndico" - apelido dado por Jorge Ben, outro monstro da MPB, também tijucano, em jóias como Azul da Cor do Mar, Primavera, Descobridor dos Sete Mares, Vale Tudo, e muitas outras, e a constatação de que pelo menos em termos de música, somos privilegiados.

Por Gilson Carvalho

Nota 7



Ficha Técnica

Tim Maia – 140 min.
Brasil – 2014
Direção: Mauro Lima
Roteiro: Mauro Lima e Antonia Pellegrino
Elenco: Babu Santana, Robson Nunes, Cauã Reymond, Alinne Morais, Laila Zaid, Valdinéia Soriano, Luis Lobianco

Estreia: 30/10


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