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Cena do filme "Metropolis"
Chega ao Rio de Janeiro a mostra Fritz Lang – O Horror Está no Horizonte, com uma retrospectiva completa em película dos filmes feitos pelo cineasta austríaco entre 1919 a 1960.

Ocupando as salas de cinema do Centro Cultural do Banco do Brasil de 13 de agosto a 22 de setembro, a mostra apresenta as diversas fases da carreira de Lang, desde seu início no cinema silencioso alemão, com filmes como Metrópolis e Os Nibelungos, passando ao cinema sonoro com M – O Vampiro de Düsseldorf, seus anos em Hollywood, com clássicos como Fúria, Os Corruptos e Almas Perversas, e o retorno à Alemanha no final dos anos 1950, quando realiza sua obra derradeira, Os Mil Olhos do Dr. MabuseObras raras e menos conhecidas, como House by the River (1950), A Gardênia Azul (1953) e O Tesouro do Barba Rubra (1956) também serão exibidas.

Nascido em 1890, em Viena, Lang começou sua carreira no cinema silencioso alemão em 1919, na época do Expressionismo, junto a diretores como F.W. Murnau e Robert Wiene, diretor de O Gabinete do Dr. Caligari (1919).

Dois filmes dirigidos por Lang deste primeiro período encontram-se hoje perdidos, sendo As Aranhas (1919) o primeiro filme de sua autoria hoje disponível. Dessa primeira fase de sua carreira, ainda durante o cinema silencioso, destacam-se filmes como A Morte Cansada (1921), com seu visual expressionista, Os Nibelungos (1924) e principalmente Metrópolis (1927), épico futurista de grande esmero visual e arquitetônico.

A bem-sucedida carreira durante a década de 1920 desmorona-se com a ascensão do nazismo. Em 1933, seu filme O Testamento do Dr. Mabuse é censurado por Goebbels, e sua mulher, Thea von Harbou, co-autora de grande parte dos seus filmes, decide aceitar  o convite de Hitler para produzir filmes para o Partido Nazista.  Lang se exila na França, onde chega a produzir filmes antinazistas. Realiza ainda Coração Vadio (1934), filme perfeitamente coerente com o “realismo poético francês”, em voga naquela país através de diretores como René Clair.

No mesmo ano, chega a Hollywood, onde ficaria por mais de duas décadas. Subestimado pela crítica, que injustamente o acusa de ter “se vendido”, realizou produções de diversos gêneros, tais como faroeste, guerra e romance, vistos como “comerciais”. Mais tarde essa produção foi reavaliada pela crítica francesa, que constatou sua marca autoral em todos os filmes.  Lang foi também um dos primeiros cineastas a dirigir Marilyn Monroe – em Só a mulher peca (Clash by night), de 1952.

Cena do filme "M, O Vampiro de Dusseldorf"Nesta fase, Lang pode realizar alguns longas no seu gênero favorito - o filme noir. Retrato de Mulher (1944), Almas Perversas (1945) ou Gardênia Azul (1953) têm as característica do noir: protagonistas anti-heróis e um contexto de submundo e degradação humana. Essas obras dialogam com M – O Vampiro de Düsseldorf, no qual a noite e a penumbra viam a manifestação de estados “doentios” da alma humana. Temas como  linchamento público (M, Fúria), a pena de morte (Vive-se uma Só Vez, Suplício de uma Alma), as sociedades secretas (Os Carrascos Também Morrem, Quando Desceram as Trevas) aparecem em sua obra, caracterizada  por preferências por ambientes internos (tribunais, prisões, a própria noite como uma atmosfera fechada e pouco acolhedora) e por personagens que não se subordinam a Deus ou à moral.

Aos 66 anos, Lang retorna à Alemanha, onde realiza seus três últimos filmes. Roteiros escritos por sua ex-mulher Thea von Harbou na década de 20, retratam aventuras em paisagens exóticas, como os do início da carreira: são o díptico O Tigre de Bengala e O Sepulcro Indiano, ambos de 1959 e protagonizados por Debra Paget. Sua obra derradeira, Os Mil Olhos do Dr. Mabuse, é um retorno também a um velho personagem, perverso e malvado, dos velhos tempos.

Programação completa em www.bb.com.br/cultura.

Serviço

Mostra Fritz Lang – O Horror Está No Horizonte
13/08 a 22/09
Centro Cultural Banco do Brasil - Rio de Janeiro
Rua Primeiro de Março, 66 - Centro - Rio de Janeiro - RJ
(21) 3808-2020



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