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Cena do Filme "Filha Distante"Acertar as contas com o passado nunca é uma tarefa fácil. Em compensação, rende bons argumentos. Como o de Filha Distante, de Carlos Sorín, em que o protagonista, Marco Tucci (Alejando Awada), vai até o fim do mundo (na verdade, um pouco antes) para reconciliar-se com a filha Ana (Victoria Almeida).

Essa dupla viagem, real e metafórica, acontece quando Marco, um homem maduro, dirige até Puerto Deseado, na Patagônia, numa aparente viagem de turismo. Pelo caminho, vai encontrando pessoas peculiares, como a lutadora de boxe e seu treinador, os jovens colombianos que estão viajando por toda a América do Sul, o barqueiro que o levará a alto mar para pescar tubarões.  Assim, aos poucos, vamos descobrindo coisas a seu respeito: tem 50 anos, mora em Buenos Aires, é representante de vendas, já foi alcoólatra, tem uma filha.  A pesca de tubarões é a justificativa para estar ali. Mas Marco nunca pescou, nem tem equipamento adequado. Do mesmo modo, tem que aprender como lidar com uma questão familiar mal resolvida. 

"Filha Distante": narrativa simples e sutil dissimula profundidade dos sentimentos de um homem comum


Poster do filme "Filha Distante"
O cinema de Sorín vai na contra-mão da maioria da produção atual; é lento e tem diálogos aparentemente banais. Não há grandes dramas nem sentimentalismo; só pequenas histórias que funcionam como peças de um quebra cabeças. Para montá-lo, é preciso ter paciência e não esperar uma virada dramática. E como se fosse a vida, ou o que se vê dela, mais o que é possível intuir a partir desses sinais manifestos. O resto, o que importa, fica escondido dentro de cada ser/personagem.

Awada atua com precisão, num registro que faz tudo ser crível como se fosse mesmo a realidade. O restante do elenco, formado na maioria por não profissionais, reforça essa impressão de naturalidade. As locações – a desértica, fria e bela Patagônia, enquadra de modo perfeito as idéias e sentimentos do personagem.

Um porém é, mais uma vez, a falta de imaginação de distribuidores brasileiros, que meio que tira a graça. O título original, Dias de Pesca, é uma metáfora da essência da história. Não se sabe por que, decidiram trocá-lo pela obviedade.

Por Gilson Carvalho

Nota 7


Ficha Técnica

Filha Distante (Días de Pesca) – 78 min.
Argentina – 2014
Diretor: Carlos Sorín
Roteiro: Carlos Sorin
Elenco: Alejandro Awada, Victoria Almeida, Diego Caballero, Daniel Keller, Oscar Ayala

Estreia: 17/07



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