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Cena do filme "Praia do Futuro"Praia do Futuro, co-produção Brasil-Alemanha dirigida por  de Karim Aïnouz, estrelado por Wagner Moura. Clemens Schick e Jesuíta Barbosa, não é um filme gay, ainda que se construa a partir de uma relação homossexual. As questões principais, no entanto, são a inadequação, o não pertencimento, a súbita consciência de que estar fora de seu lugar é insuportável, o abandono. 

O drama em três atos traz Donato (Moura), um salva-vidas na Praia do Futuro, em Fortaleza, Ceará. Um dia, dois motociclistas alemães se afogam, e apenas um é salvo.  Um pouco por sentimento de culpa, um pouco por  ética profissional Donato decide dar a notícia ao sobrevivente, Konrad (Schcik), e acaba se envolvendo com ele. Segue para Berlim, deixando para trás seu trabalho, sua vida e seu irmão pequeno, Ayrton (Savio Ygor Ramos), que o o chama de Aquaman e que tem medo de oceano. Dez anos depois, já estabilizado na capital alemão, Donato é surpreendido pela chegada de Ayrton (Barbosa) que quer saber por que foi abandonado pelo irmão-herói.

"Praia do Futuro":  inadequação e abandono entre Fortaleza e Berlim

Responsável por uma obra já reconhecida, iniciada pelo excelente Madame Satã (2002) e que conta também com O Céu de Sueli (2006), entre outros, Aïnouz pratica o que se convencionou chamar cinema sensorial. Ou seja, exibe mais do que diz, engendra a narrativa confrontando realidades e geografias  opostas. Assim, capta imagens belíssimas tanto de Fortaleza quanto de Berlim e outras não-convencionais mas também interessantes. Praia e neve, Fortaleza e Berlim se aproximam a partir do desejo dos dois protagonistas. É no encontro, principalmente sexual, que as distâncias são diminuídas, praticamente anuladas.

Poster do filme "Praia do Futuro"
Embora isso seja  mostrado bem de perto, com muitos detalhes, o relacionamento não empolga, deixando um vazio. Incrivelmente, Wagner Moura, uma quase unanimidade até agora, não parece  à vontade no papel: nem demonstra nenhum mal-estar em Fortaleza, nem tanto conforto em Berlim. Clemens Schick defende bem seu Konrad, mas, no fim, as melhores cenas são mesmo as de sexo, intensas e corajosas. 

Os conflitos de Donato só são entendidos quando ele explica, com todas as palavras, ao irmão, o motivo de seu desaparecimento. Felizmente a entrada em cena de Ayrton dá a oportunidade de se constatar mais uma vez, o enorme talento do jovem Jesuíta Barbosa. Revelado em Tatuagem, de Hilton Lacerda (2013), Barbosa, na pele de Ayrton, traz calor e oxigênio à trama.  Também se destacam a ótima trilha sonora, que tem Heroes, de David Bowie e música eletrônica,  e a fotografia inspirada de Ali Olay Gözkaya 


Por Gilson Carvalho

Nota 6,5



Ficha  Técnica

Praia do Futuro – 106 min.
Brasil/Alemanha – 2014
Direçao: Karim Aïnouz
Roteiro: Karim Aïnouz
Elenco: Wagner Moura, Clemens Schick, Jesuíta Barbosa, Sophie Charlote Conrad


Estreia: 15/05


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