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Cena do filme "Heli"Heli, de Amat Escalante, mostra de maneira hiperrealista como a violência causado pelo narcotráfico no México contemporâneo atinge todas as pessoas, até aquelas que, aparentemente não tem nada a ver com a questão. Uma leitura mais
atenta,  no entanto, permite ver que não é (só) dessa violência que se está falando, mas de um estado de coisas aparentemente impossível de mudar. O filme conquistou o prêmio de melhor diretor no Festival de Cannes 2013.

Heli (Armando Espitia) é um jovem operário em uma fábrica de automóveis no interior do México. Vive em uma casa modesta com mulher, filho, pai e a irmã mais nova, Estella (Andrea Vergara). Com apenas 12 anos, corpo e jeito de menina, ela tem um namorado, o soldado do exército Beto (Juan Eduardo Palacio), com quem deseja se casar. Ao participar de uma queima de drogas, Beto aproveita para roubar dois pacotes de cocaína, que esconde na caixa d'águ da casa de Estela. Heli encontra o narcótico e se livra dele, mas traficantes o capturam, juntamente com sua irmã e o namorado, além de matar seu pai.  Para se vingar, torturam cruelmente os dois rapazes e sequestram Estela.

"Heli": violência cotidiana que assola o México em imagens cruas


Poster do filme "Heli" O que mais chama a atenção em Heli é a crueza das imagens. Em um ambiente duro, seco, poeirento, as pessoas parecem não ter muita humanidade. A vida delas se resume a sobreviver e mesmo os escassos sonhos estão fadados ao fracasso. Apesar de muito jovens, os personagens trazem o peso de uma sociedade marcada pelo abandono e pela falta de perspectiva. A violência dos narcotraficantes é só mais uma, ao lado da indiferença do Estado, disfarçada de burocracia ou puro descaso, trazendo uma espécie de anestesia (coisa que os brasileiros conhecem bem).

Escalante sabe construir a narrativa com imagens poderosas, ainda que muitas vezes desagradáveis. Os ângulos e movimentos de camera reiteram a denúncia sem tornâ-lo um filme panfletário. Além disso, habilmente, em meio ao horror, ele aplica aqui e ali, elementos que dão um certo alívio à revolta involuntária no estômago, como o cowboy com botas pontudas, Estela dormindo no sofá com o bebê.

Heli é um filme pesado e dificil, com algumas sequencias dispensáveis, não só pela brutalidade, mas por serem desnecessárias para contar a história. Como o treinamento dos soldados que beira à barbaridade, um exame pélvico e os detalhes da tortura. Mas provoca rejeição principalmente porque  nos joga na cara aquilo que não queremos ver: a falência das instituições.  

Por Gilson Carvalho

Nota 7,5



Ficha Técnica

Heli - 105 min.
México/França/Alemanha/Holanda -2014
Direção: Amat Escalante
Roteiro: Gabriel Reyes, Amat Escalante
Elenco: Armando Espitia, Andrea Vergara, Juan Eduardo Palacios, Linda Gonzalez

Estreia: 22/05


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