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Cena do filme "RoboCop"Quem for assistir ao novo Robocop, do diretor brasileiro José Padilha, imaginando tratar-se de uma refilmagem, pode acabar se decepcionando. O realizador de Tropa de Elite e Tropa de Elite 2 – O Inimigo agora é outro apropria-se da ideia do filme original, de 1987, sobre um policial fuzilado que acaba por servir para que uma megacorporação construa um cyborg, programado para impor a lei em uma Detroit (EUA) devastada por traficantes de drogas.

A semelhança finda onde termina a premissa. A partir deste ponto, Padilha, com ajuda dos roteiristas do primeiro longa, Edward Neumeier e Michael Minner, impõe o seu estilo peculiar de filmar, transformando o policial do futuro, Alex Murphy (Joel Kinnaman, da série The Killing), em um novo paradigma para abrir questões políticas, especificamente, a segurança pública norte americana.

"RoboCop": pretensão a serviço do bom entretenimento


Em seu prólogo, homens-bombas atacam soldados autômatos em território afegão, diante de uma repórter transmitindo ao vivo as atrocidades para o canal sensacionalista, cujo âncora de extrema direita (Samuel L. Jackson) tenta a todo custo influenciar a população de que a automatização do exército e polícia, permitida apenas na política externa americana, é o caminho ideal para a solução da violência nos Estados Unidos.

Poster do filme "RoboCop" O não desgaste físico e a impossibilidade de cometerem erros são argumentos prós o uso de robôs de guerra pela empresa OminiCorp, chefiada por Raymond Sellars (Michael Keaton), um vilão vítima das circunstâncias. E quando Alex Murphy sofre um atentado, abre-se uma brecha para que o senado americano se sensibilize com a novidade de ter um policial metade homem, metade  máquina.

Sancionada a nova lei, e aos cuidados do Dr.Dennett Norton (Gary Oldman), o RoboCop sai à caça de todos os criminosos de Detroit. Oposto ao que ocorre em outros filmes de super-heróis – Homem de Ferro, Homem Aranha e outros mais - onde a torcida e o fascínio carismático é imediato, o longa de José Padilha deixa uma dúvida ao espectador: Se RoboCop vence, a corporação fascista também ganha.

A discussão enlaça este paradoxo, o que por si só, afasta-se do entretenimento frívolo. Todavia, a questão levantada carece de mais elementos e mais tempo de projeção para fixar o pretendido, voltando-se ao entreter por entreter. Um novo paradoxo é gerado, então. Uma encruzilhada que pode ser descomplicada; RoboCop como divertimento é um baita filme cabeça, já como um filme conteúdo, trata-se de um filme pipoca bastante agradável. 

Por: Tiago Canavarros

Nota: 7,5



Ficha Técnica

RoboCop (RoboCop) - 117 min
Estados Unidos– 2014
Direção: José Padilha
Roteiro: Joshua Zetumer, Edward Neumeier e Michael Minner
Elenco: Joel Kinnaman, Gary Oldman, Michael Keaton, Abbie Cornish e Samuel L. Jackson


Estreia: 21/02

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