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Cena do filme "Azul È A Cor Mais Quente"
A cor azul dentro do cinema geralmente está associada à frieza, depressão, monotonia e morbidez, no entanto, em Azul é a Cor mais Quente, o diretor Abdellatif Kechiche subverte esta “normalidade”, o drama romântico entre Adele (Adèle Exarchopoulos) e Emma (Léa Seydoux, Meia-Noite em Paris) ganha uma avassaladora paixão de fortes conotações sexuais, com cenas que denotam explicitamente o que as duas sentem uma pela outra.

Antes da aparição da jovem de cabelos azuis estudante de belas artes, Emma, Adele tinha um dia-a-dia que se resumia a leituras na sala de aula, conversas triviais no recreio com seus amigos de escola do primeiro ano e que se encerrava com um jantar em família junto a seus pais.

De um encontro ocasional, Adèle tem sua vida alterada, em “Azul é Cor Mais Quente”


O encontro, inicialmente deixou-a mais introvertida ainda, amante da literatura, Adele é um livro de 600 páginas, minucioso e bem descritivo, apesar de não esboçar tanto verbalmente. A câmera obcecada de Abdellatif Kechiche pelos lindos lábios carnudos de Adèle Exarchopoulos em plano detalhe e os demais personagens ao comer revela o seu fetiche.

Poster do filme "Azul È A Cor Mais Quente"Kechiche faz de seu filme como um livro de Proust, capaz de esmiuçar o amadurecimento e a descoberta da sexualidade da jovem que sonha ser professora e ser feliz ao lado de quem ama em 3 horas de filme. A sua personagem, baseado no romance gráfico de Julie March, possui similitudes aos personagens de Dostoievski. Quando há culpa e remorso, ela se deixa ser consumida até o último respiro do sentimento. Para ela, é tudo ou nada quando se trata de estar com Emma.

Embora o foco sejam elas, o filme transcende o tema LGBT com o tamanho de riqueza em detalhes, desviando o foco para questões da autodescoberta – sexual ou não – na qual poderia se aplicar a qualquer outra pessoa que estivesse apaixonada. Adele quer mais, ela quer ser ativista, quer fazer algo importante de sua vida, quer experimentar sem estar vinculado a um preceito preestabelecido. Não há julgamento.

Como pano de fundo, Azul é a cor mais quente traça um panorama da adolescência francesa, o ensino erudito do sistema educacional, o pessimismo da população com relação ao governo e ao mesmo tempo em que dentro de casa, as famílias agem de forma oposta, são conservadoras – à exceção da família de Emma.

La Vie d`Adèle, no original, não chega a inovar, mas narra uma história que prende atenção do expectador com poucos planos abertos, inúmeros planos detalhes e uma câmera na mão invasiva, além dos trabalhos magníficos do par, principalmente Adèle Exarchopoulos.
                                                      
Nota: 8


Ficha Técnica

Azul é a Cor Mais Quente (La Vie d`Adèle) - 179 min
França, Bélgica e Espanha– 2013
Direção: Abdellatif Kechiche
Roteiro: Abdellatif Kechiche, baseado na história em quadrinhos de Julie March "Le Bleu est une couleur chaude”
Elenco: Léa Seydoux, Adèle Exarchopoulos, Salim Kechiouche, Arélien Recoing, Catherine Salée


Estreia: 06/12

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