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Em Capitão Phillips, ao relatar a historia verídica do marinheiro mercante (Tom Hanks), comandante do navio cargueiro Alabama que é invadido por quatro piratas da Somália em 2009, o primeiro navio americano a ser sequestrado em dois séculos, o diretor Paul Greengrass dá continuidade ao seu trabalho de entretenimento fincado a raízes políticas que permeia até então toda a sua filmografia, passando pelo seu longa metragem de estreia, sobre os protestos irlandeses do inicio da década de 1970, o qual culminou no massacre conhecido e que deu título ao filme, Domingo Sangrento (2002) e que no meio musical a tragédia foi imortalizada pela canção homônima de um dos maiores hits da banda irlandesa U2, até temas mais atuais, como o terrorismo, retratados em Vôo United 93 (2006) e Zona Verde (2010).

Apontado pela mídia americana e inglesa como provável candidato ao Oscar 2014, principalmente ao desemprenho de Tom Hanks, Capitão Phillips sublinha a retirada do recurso à força de cenas típicas de um filme ação e investe em um drama de alta tensão nos mares da costa africana no Oceano Índico, na biografia escrita pelo próprio comandante.

“Capitão Phillips”: globalização vista a partir de um drama particular

  
Na trama, acompanhamos o capitão pressentindo que a viagem de Omã com destino ao Quênia seria uma experiência inesquecível – no mau sentido. O diálogo, aparentemente despretensioso, entre Richard Phillips e sua esposa Andrea Phillips (na aparição relâmpago de Catherine Keener) sobre o futuro de seus filhos em um mundo marcado pela alta competitividade e velocidade traz um emparelhamento com a situação da população dos Somalis, à sua maneira e condição precária de vida, os moradores da Somália, que convivem hostilmente em aldeias diferentes, resultante do neo-colonialismo implantado pelas políticas externas de interferência americana e europeia no continente, também convivem com o acirramento competitivo.

Para os Somalis, as águas da costa africana pertencem a eles, elas não são “águas internacionais”, como Phillips afirma, sob um olhar sanguinário do chefe do grupo, Muse (Barkhad Abdi) e sua arma apontada para sua cabeça.

Tais debates, coerentemente a autobiografia do marinheiro mercante, não são aprofundados e não vai ao subterrâneo das questões recentes de tentativas de imigrações africanas ao continente europeu em busca por melhores condições de vida. Paul Greengrass segue o raciocínio mais provável ao relato de uma biografia dramática; mirar na alta tensão vivida por Richard Phillips dentro da baleeira com os 4 piratas somalis, traçando e situando algumas circunstâncias atuais.

Mas a globalização vista em Capitão Phillips sob esta ótica esbarra no constante geocentrismo norte-americano dentro do cinema, em um desfecho tendencioso e apelativo. Ou seria por acaso, que em uma longa tomada em grande plano do navio cargueiro Alabama, teria o nome de uma multinacional detentora da maior unidade operacional em prestação de serviços marítimos, estampado nos enormes  contentores? Em tempos de alta concorrência, seja “forte para sobreviver”, palavras de um capitão - Richard Phillips.

Nota: 6,5


Ficha Técnica

Capitão Phillips (Captain Phillips)- 135 min
EUA– 2013
Direção: Paul Greengrass
Roteiro: Billy Ray, baseado no livro Richard Phillips "A Captain's Duty: Somali Pirates, Navy SEALS, and Dangerous Days at Sea"
Elenco: Tom Hanks, Barkhad Abdi, Barkhad Abdirahman, Catherine Keener, Faysal Ahmed, Mahat M. Ali


Estreia: 08/11


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