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Cena do filme "Jobs"

Menos de dois anos após a morte daquele que é considerado um dos maiores gênios da indústria da computação, sua primeira cinebiografia já está sendo lançada. Jobs, com Ashton Kutcher no papel-título, tenta contar como Steve Jobs criou a Apple, a mais destacada empresa da mais competitiva e importante atividade produtiva das últimas décadas. 

O longa começa mostrando um dos momentos-chave da carreira de Jobs: a apresentação do Ipod, o icônico tocador de música lançado em  2001. Um salto para trás e vemos o jovem estudante universitário que gosta de andar descalço abandonando a faculdade por não acreditar que ali conseguiria aprender algo que valesse a pena. Sem saber que caminho seguir, como muitos naquela época, experimenta drogas e amor livre e vai à Índia em busca de iluminação. 

Depois de fazer um curso de caligrafia, Jobs consegue um emprego na produtora de games Atari, onde prova seu potencial, ao mesmo tempo em que fica clara a sua dificuldade em interagir com outros seres humanos. Além de não gostar de usar sapatos, aparentemente também não gosta de tomar banho, e acha que ninguém se esforça tanto quanto ele.

Obstinado em criar um produto original e desejado por todos, tem a ideia de produzir os primeiros computadores pessoais. Diferentemente de outros nerds com quem convive e colabora, Jobs percebe a importância do marketing e se esmera em apresentar suas criações de maneira cada vez mais interessante. A partir daí, sua escalada se acelera e parece não ter fim. Porém, acreditando-se acima do bem e do mal, acaba perdendo a empresa que havia fundado e é obrigado a começar tudo de novo, até reconquistar o mais alto posto da Apple.

“Jobs” mostra ascensão e queda do criador da Apple


Mais do que falar de computadores e outros gadgets, Jobs quer mostrar o gênio por trás do homem, suas ideias, sua visão, suas fraquezas. Sempre à frente do seu tempo, o empresário tem o mérito de reunir um grupo de jovens criativos, sempre dispostos a realizar os projetos que propõe.

Para mostrá-lo como um ser humano, passível de cometer erros, o roteirista Matt Whiteley e o diretor Joshua Michael Stern o retratam como arrogante, centralizador, vingativo. Em sua obsessão em deixar sua marca no mundo, se nega a assumir a paternidade de sua filha, ignora velhos amigos e colaboradores e desafia quem quer que se interponha no seu caminho, até perder o controle da empresa que ele mesmo havia criado.

Poster do filme "Jobs"Questionada desde que foi anunciada, a escolha de Ashton Kutcher para o papel confirmou-se como um erro. O ator não tem talento para exibir a complexidade de Jobs. Percebe-se que ele se esforça para incorporar os trejeitos, modo de andar e tom de voz do personagem, e até consegue em alguns momentos, notadamente aqueles em que Jobs faz um discurso ou tenta vender suas propostas para o público.  Mas, em geral, não convence: é possível ver, quase o tempo todo, um ator representando.  

O elenco de apoio é bem melhor: Dermot Mulroney como Mike  Markkula, investidor que fez o primeiro investimento na empresa e, principalmente Josh Gad que faz Steve Wozniak, fiel amigo de Jobs e um verdadeiro gênio da eletrônica.  

O maior problema, no entanto, é mesmo o roteiro, superficial e limitado. Não se aprofunda em nenhum aspecto da vida de Steve Jobs, não desvenda suas motivações, não investiga seu passado de menino adotado, fato que o marcou profundamente.  Apenas exibe uma coleção de situações que não honram o empresário de sucesso capaz de vender sonhos nem revelam o verdadeiro ser humano que se escondia por trás da maçã.  

Por Gilson Carvalho

Nota 5,5


Ficha Técnica

Jobs - 127 min.
EUA - 2013
Diretor: Joshua Michael Stern
Roteiro: Matt Whiteley
Elenco: Ashton Kutcher, Dermot Mulroney, Josh Gad, Lukas Haas, Mathew Modine, J.K. Simmons, Ron Eldard, Victor Razuk, James Woods, Kevin Dunn.

Estreia 06/09


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