0

Compartilhe este conteúdo |


Cena do filme "Flores Raras"
Uma história de amor entre duas mulheres, em pleno Rio de Janeiro dos anos 1950 certamente daria um excelente filme. Sendo essas mulheres uma arquiteta importante e uma premiada poeta, o interesse é multiplicado. Flores Raras, de Bruno Barreto, narra esse romance que fala de descobertas, perdas e reinvenção.

Baseado – com alguma liberdade, no livro Flores Raras e Banalíssimas, de Carmem Lucia de Oliveira, o longa retrata o intenso relacionamento que quase duas décadas, entre a arquiteta brasileira Lota de Macedo Soares (Gloria Pires) e a poeta norte-americana Elizabeth Bishop (Miranda Otto), uma das mais importantes da língua inglesa, vencedora do Prêmio Pulitzer, entre outros.

Durante um período de estagnação em Nova York, Bishop avisa a seu amigo e mentor Robert Lowell (Treat Williams) que vai fazer uma viagem e decide aceitar o convite da amiga Mary Moser (Tracy Middendorf), com quem estudara na universidade. Ao chegar ao Rio de Janeiro, tem um choque com a beleza e a vivacidade do país. Hospedada na belíssima propriedade de Lota e Mary em Araras, Petrópolis, a princípio Bishop não desperta simpatias na brasileira, que tinha um relacionamento amoroso com Mary.

Por causa de um problema de saúde, Bishop é obrigada a ficar mais algum tempo, o que permite um maior contato com Lota, e elas acabam se apaixonando. Sentindo-se traída, Mary quer ir embora, mas é convencida por Lota a ficar, com a promessa de adoção de uma criança, desejo que Mary alimentava havia anos.

Durante algum tempo o relacionamento funciona, mas as personalidades fortes provocam conflitos.  Lota é uma mulher exuberante, que quer tudo e faz tudo para conseguir o que quer. Elizabeth é uma artista frágil buscando um lugar no mundo. Mary não esconde o rancor por ter sido trocada por outra. Isso, e questões pessoais corroem a convivência. Mary dedica-se à criação da filha, Lota à construção do Parque do Flamengo e Bishop torna-se alcoólatra.

"Flores Raras" mostra o romance entre Lota e Elizabeth de modo sensível e intenso


Poster do filme "Flores Raras"O romance é tratado com intensidade e delicadeza e em nenhum momento a homossexualidade é posta em questão, o que, por um lado, colabora para a fluidez da narrativa, mas, por outro, nos leva a conjecturas do tipo, a sociedade carioca era extremamente liberal nos anos 50 ou a classe social das protagonistas as preservou de qualquer tipo de preconceito. Tampouco o contexto histórico é explorado, embora tenha sido um dos mais conturbados, com o Brasil passando dos “anos dourados” da década de 50 aos “anos de chumbo”, da ditadura militar.

As atrizes tem um desempenho admirável. A fotografia sabiamente tira proveito da paisagem deslumbrante da serra fluminense, com generosas tomadas abertas e longas. A beleza é acentuada pela trilha sonora, que inclui Chopin, Tom Jobim e Ella Fitzgerald.  Com a maior parte dos diálogos em inglês, o filme pode ter uma boa carreira internacional, principalmente nos circuitos de arte e LGBT. Mas, sensível e bem realizado, deve ser visto por todos que gostam de bom cinema.

Por Gilson Carvalho

Nota 7,5


Ficha Técnica

Flores Raras (Reaching For The Moon) – 117 min.
Brasil - 2013
Direção: Bruno Barreto
Roteiro: Matthew Chapman e Julie Sayres,  baseado em roteiro de Carolina Kotscho
Elenco: Glória Pires, Miranda Otto, Tracy Middendorf, Marcello Airoldi, Treat Williams

Estreia 16/08


Compartilhe este conteúdo |

O Cinema está na Rede e também no Twitter O Cinema está na Rede e também no Facebook

Postar um comentário

 
Top