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Cena do filme "Bling Ring: A Gangue de Hollywood"
Baseado em fatos reais, Bling Ring – A Gangue de Hollywwod,  o novo filme de Sofia Coppola é uma apreciação desfavorável à atual geração americana que mira em celebridades e todos os adereços que as revestem, representados em aparições glamourosas na televisão, festas, festivais e em notas/artigos de internet. Endeusadas por infinitos flashes de fotógrafos, paparicadas por jornalistas, os jovens americanos parecem ter se identificado com este paradigma de culto à celebridade para encontrar um ideal de vida e contornar os problemas de baixo-estima e insegurança. 

Em busca de apego material, a gangue de Hollywood, integrada por Rebecca (Katie Chang), Marc (Israel Broussard), as irmãs Nicki (Emma Watson) e Sam (Taissa Farmiga) e Chloe (Claire Julien), extrapola todos os limites, indo mais além do culto olimpiano. Invadem mansões, sentam na cama confortável de Paris Hilton, e para total deleite, vestem os infinitos acessórios e roupas de marca do extenso closet da celebridade, bem como as bijuterias luxuosas e o aroma dos perfumes caríssimos.


Contundente e homogêneo, “Bling Ring: A Gangue de Hollywood”  critica severamente a mídia e o mundo das celebridades


E para bancar o inflamado ego diante do espelho, e para se exibirem em fotos postadas no Facebook, a gangue elitizada de Beveryly Hills tem de roubar dinheiro de suas “vítimas”. Em meio ao frequente uso de drogas, cada vez mais abusivos- assim como as invasões - e pela adrenalina do delito em si, a gangue almeja mais, sem se preocupar com as consequências.

O eixo central dessa crítica visceral à sociedade olimpiana divide-se em dois pontos; a ausência dos pais e lacuna predominante na cultura pop norte-americana, perpetuada por tabloides sensacionalistas.  Ao abordar estas duas questões, embora falte mais estreitamento em relação ao primeiro quesito, a trama não apela ao moralismo e nem a chatice didática, comum em filmes quando o objetivo é alarmar sobre um problema crônico.

Poster do filme "Bling Ring: A Gangue de Hollywood"O apontamento de tais problemas, no entanto, carece de mais elementos, perde-se fôlego narrativo em cenas repetitivas das invasões às mansões, enquanto poderia enveredar para um mergulho mais abrangente, tocando no cerne da questão: Por que jovens elitizados agem assim?

Ademais, em termos técnicos não vemos nada que Gus Van Sant não tenha feito anteriormente em sua trilogia adolescente (Elefante, Últimos Dias e Paranoid Park). Recurso da câmera na mão e câmera sob o ponto de vista do personagem, o abafamento sonoro com imagens em câmera lenta para criar uma atmosfera intimista.     

Em Bling Ring, Sofia Coppola optou por construir uma trama unilateral, mais homogenia, reforçando uma aspereza de como a cultura norte-americana está assolada de lacunas, moldando o alarde com contundência, e que vale a ida ao cinema.


Nota: 6,0



Ficha Técnica

Bling Ring: A Gangue de Hollywood (The Bling Ring) – 90 min
Estados Unidos – 2013
Direção: Sofia Coppola
Roteiro: Sofia Coppola – Baseado no artigo da  revista Vanity Fair, “The Suspect Wore Louboutions”, de  Nancy Jo Sales
Elenco: Katie Chang, Israel Broussard, Emma Watson, Claire Julien, Georgia Rock e Leslie Mann


Estreia 16/08


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