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Os críticos de cinema no Brasil, de maneira geral, criticam essa nova onda de comédias nacionais, mais ainda esses “especiais de TV” da Rede Globo sendo lançados no circuito.  Para muitos, produções rasteiras que enaltecem a própria empresa. A Globo Filmes ainda estranhamente adapam os filmes em microsséries, transformando o cinema nacional em uma fábrica de telefilmes. No entanto, Giovanni Improtta supera isso, vai na contramão do sistema e traz de volta um personagem outrora secundário na novela Senhora do Destino, mas de sucesso e querido do público. 

Cena do filme Giovanni Improtta


Portanto, Giovanni Improtta é um projeto transmídia por natureza, o que é positivo, já que são poucos na indústria de entretenimento no Brasil. Assim, a obra dialoga com o imaginário do “telespectador”. E por já existir um trabalho e uma relação com o público já construída e consolidada, o trabalho de produção é muito facilitado, apesar disso não tirar seus méritos. 

Dirigido e interpretado por José Wilker, é baseado na obra literária ‘Prendam Giovanni Improtta’, do autor Aguinaldo Silva, porém o personagem é ainda mais antigo, existe desde a época de 70, na obra ‘O Homem que comprou o Rio’. Mas foi na novela Senhora do Destino, de Aguinaldo Silva, que o bicheiro Giovanni, interpretado por Wilker, ganhou popularidade. 

O filme conta a história de um bicheiro, que, como Michael Corleone, partilha do mesmo sonho: ver seus negócios ilícitos legalizados. Nesse caso, Giovanni, junto a seu cunhado e vereador Pastor Franklin (Thelmo Frenandes), negociam nos bastidores a aprovação de uma lei que libera os cassinos no Rio de Janeiro. 

O ponto alto do filme é o design de produção com uma estética colorida, que remete aos filmes do Tarantino. Aliás, esse é um dos nomes dos seguranças do contraventor. Observe por exemplo como objetos de cena, a cama circular, a coleção de gravatas borboletas coloridas, o terno roxo, e a estátua do cachorro prateado dão um tom exótico e pitoresco ao bicheiro carnavalesco. E mesmo se aproveitando do trabalho feito em 2004 em Senhora do Destino, a diretora de Arte Claudia Amaral Peixoto tem grandes méritos. A trilha sonora também é excelente e só peca em querer conduzir demais o filme, isto é, vícios de TV. Nas sequências envolvendo o Pastor, por exemplo, há vários motivos musicais que se confrontam e confundem o espectador. 

Cena do filme Giovanni Improtta

Um outro ponto alto é o elenco. Além de José Wilker já reencarnar de forma competente um de seus melhores trabalhos, Giovanni Improtta ainda possui boas interpretações, como a de Andréa Beltrão, vivendo a esposa do contraventor, e a de André Mattos, que depois de um ótimo trabalho em Tropa de Elite 2, revive Paulinho, o fiel escudeiro de Improtta.

Contudo, por vir de uma história já antes construída, Giovanni Improtta de certa forma trai o público em não marcar-se no espaço. Em nenhum momento sabemos se os eventos ali contados são antes ou depois de Senhora do Destino. E infelizmente o carnaval aparece pouquíssimo na trama, apenas é mais uma das atividades do contraventor. 


O roteiro peca por não apresentar nenhuma jornada do personagem. Giovanni é sempre aquele cara da novela, e só. Porém os diálogos trazem aquelas pérolas divertidas que transformaram o personagem de Wilker em “Felomenal”. Por exemplo, em um certo momento Giovanni, ao se referir a uma jovem que se relacionou, fala: “ Eu já resolvi a gravidez do problema”. O outro contraventor indaga: “Gravidez?! mais essa agora”. 

Porém o grande destaque do filme é a sequência inicial dos mafiosos no enterro. A chuva, o preto do figurino e das limusines; tudo que se remete ao imaginário dos filmes de gangster. E musicalmente quando uma bateria de escola de samba invade a ópera fúnebre e as alcovideiras são jogadas para escanteio, o espectador percebe a o caráter exótico de Giovanni, primoroso, que mostra que Wilker como diretor, apesar de muito irregular nessa obra, pode ter sucesso em futuros trabalhos. 

Apesar não ser muito engraçado, Giovanni Improtta é muito divertido. Bem realizado tecnicamente, e bastante crítico, sobretudo com a nova onda evangélica do Rio de Janeiro. Além disso, sempre é agradável reviver aventuras de um personagem tão marcante como o contraventor Giovanni. Mickael Noah, sócio do Camarote Folia Tropical na Sapucaí, comenta que “o filme, assim como a novela em 2004, levanta a discussão de como uma escola de samba era administrada anos atrás. O enredo é leve e divertido, e os atores que compõem o elenco ajudam a conduzir a história. Seria legal ver a Unidos da Vila São Miguel desfilando na Sapucaí.” 

Nota: 7
Por: Danilo Zanini

 



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