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Cena do filme "Faroeste Caboclo"Um western tupiniquim, um drama social e uma história de amor, Faroeste Caboclo é um raro caso de adaptação de uma canção para o cinema. O filme estreia cercado de expectativas, principalmente por parte dos fãs de Renato Russo e sua Legião Urbana. No entanto, a produção tem condições de agradar aqueles que não conhecem ou mesmo não curtem a música e a banda brasiliense. 


Faroeste Caboclo conta a saga de João de Santo Cristo (Fabrício Boliveira) um jovem pobre e negro que vai da Bahia para Brasília, onde passa a traficar drogas. Na capital federal, se apaixona pela bela Maria Lúcia (Ísis Valverde), filha de um senador. Contrariando todas as previsões, o romance parece que vai dar certo, até que o interesse de outro traficante, Jeremias (Felipe Abib), pela moça e pelo controle da venda de entorpecentes na região, prenuncia uma tragédia. 

"Faroeste Caboclo" traduz em imagens e ação a canção de Renato Russo


Se a história é previsível, já que segue quase exatamente a letra da música, a narrativa é enriquecida com ótimas escolhas do diretor estreante René Sampaio, como o elenco, com destaque para o casal protagonista. Fabrício Boliveira tem talento e intensidade; Ísis Valverde empresta leveza a sua Maria Lúcia. A fotografia tira partido da plasticidade de Brasília, além de se valer dos códigos do gênero, cortando de planos gerais para close-ups, dando dramaticidade às sequências de conflito.

Uma outra opção acertada e coerente com a obra de Renato Russo foi manter Brasília não só como cenário da história, mas colocá-la quase como um personagem, levando a plateia a um questionamento do papel da cidade como centro do poder e de diversas mazelas que afligem o país. Uma espécie de microcosmos da realidade nacional, o Distrito Federal tem dentro de seus limites o Plano Piloto e as cidades satélites, que reproduzem as desigualdades vistas em todo o país.
Poster do filme "Faroeste Caboclo"

Um ponto negativo é o maniqueísmo que Faroeste apresenta, com o pobre e preto João como vítima e Jeremias e o policial Marco Aurélio (Antonio Calloni) com vilões, todos sem profundidade, o que talvez fizesse algum sentido quando a música foi composta (meados dos anos 1980), com o país recém-saído da ditadura, situação ressaltada pelo compositor em diversas outras canções, como Que Pais é Este, Geração Coca-Cola, para citar algumas.

Coincidentemente, neste mês também foi lançado Somos Tão Jovem, de Antonio Carlos de Fontoura, biografia de Renato Russo, centrada nos anos anteriores à criação da banda Legião Urbanas. A simultaneidade só atesta a permanência do cantor e compositor no imaginário popular, e as possibilidades de descoberta de sua contribuição para a cultura brasileira. .  

Por Gilson Carvalho

Nota 8


  
Ficha Técnica

Faroeste Caboclo - 100 min
Brasil - 2013
Direção: René Sampaio
Roteiro: Marcos Bernstein, Victor Atherino, baseados em canção de Renato Russo.
Elenco: Fabrício Boliveira, Isis Valverde, Felipe Abib, Antonio Calloni, Marcos Paulo, Cinara Leal, Giuliano Manfredini, Rodrigo Pandolfo


 Estreia 30/05


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