1

Compartilhe este conteúdo |


Cena do filme "Homem de Ferro 3"Um super-herói com crise de identidade já é um clichê ao longo dos mais de quinze anos da Marvel Studios, e até antes disso, em Superman de Richard Donner e Homem-Aranha de Sam Raimi. Porém uma crise de identidade de uma nação, que é uma das referências mundiais já é algo muito maior, mais ambicioso. Em consequência disso a trilogia Homem de Ferro deixa de ser mero entretenimento para sutilmente propor certas discussões ao espectador.  Assim Tony Stark ainda nos créditos iniciais afirma: “Com nossos erros, nós criamos nossos próprios demônios".



"Homem de Ferro 3" discute a decadência dos EUA como nação hegemônica



No final da trilogia o diretor e roteirista Shame Black traz um Tony Stark (Robert Downey Jr) com um estresse pós-traumático após os eventos de Nova York visto em Os Vingadores. Aliás, não só o cabeça de metal, mas o governo americano, já que este ficou impotente diante de deuses nórdicos, aliens e o Hulk. Além disso, o passado assombra Stark, contado ao espectador no começo da projeção, uma vez que o bilionário abandonou mais uma musa e um nerd com potencial de cientista.

Desta forma Black trabalha a ideia que para toda ação há uma consequência. Algo semelhante acontece com a nação, já que surge um vilão terrorista árabe, o Mandarin (Ben Kingsley) como resposta às políticas desastradas dos americanos no Oriente Médio. E se observar as sutilezas de Black para fazer referências históricas aos erros dos EUA. Por exemplo, a arma de Mandarin é uma bomba sintética que desintegra todos os cidadãos, ou seja, as bombas nucleares de Hiroshima e Nagaski.  Além disso, o presidente dos EUA é uma referência ao ex-presidente George Bush, dono de gigantes petroleiras. 

Cena do filme "Homem de Ferro 3"A nação norte-americana construiu sua imagem como super-potência através da ideologia do destino manifesto, que consiste na tese que os EUA são os escolhidos para mostrar um modelo hegemônico de democracia e sociedade. O tal do American Way of Life. Com isso, o cineasta Shame Black começa a mexer com os símbolos americanos e de Stark. Afinal, todo o patrimônio de Stark vira escombro numa ótima sequência de ação. Observe por exemplo, qual era a verdadeira profissão do cara por trás das câmeras e do Mandarin, que anteriormente sequestra um executivo americano influente, e este é justamente um executivo de Hollywood.

Super-herói fraco mostra erros dos poderosos no terceiro filme da trilogia


Desta forma Black constrói não só um Homem de Ferro fraco em relação a sua equipe de super-amigos, mas toda uma nação outrora poderosa e que com atual crise econômica tornou-se  impotente para resolver problemas históricos como no Iraque, por exemplo; tem sua influência questionada e diminuída.  Stark no final chega refletir: “Toda ideologia empolga no começo, mas em algum momento nós erramos, nós criamos nossos problemas, nossos próprios demônios”. Claras referências ao apoio e treinamento à terroristas e ditadores do Oriente Médio durante a Guerra Fria.

Poster do filme "Homem de Ferro 3"Em relação ao filme em si, o compositor Brian Tiller foi feliz construindo uma trilha épica e heroica; semelhante à bela música de Silvestri para Os Vingadores. No roteiro, Black apela ao “cross-over (narração em off)” que desaparece em muitos momentos da projeção. Contudo, as sequências de ação, sobretudo no terceiro ato, são muito divertidas e ficarão marcadas na memória do espectador.

Sem sua habitual trilha sonora de AC-DC, Homem de Ferro 3 encerra com maestria uma trilogia que por sua qualidade técnica, de efeitos visuais, de história e de grandes atuações como a de Robert Downey Jr ajudou a consolidar os “hero movies”. Gênero que no ano passado deu a Hollywood seu maior lucro da história. Além disso, Homem de Ferro 3 não apenas constrói um universo fascinante sonhado por anos por nerds, mas mostra que consegue estabelecer uma discussão eficiente com a realidade,  útil ao espectador, e chegando em determinados momentos a brincar com ela.

Por Danilo Zanini

Nota: 8,5



Ficha Técnica

Homem de Ferro 3 (Iron Man 3) – 130 min.
EUA 2013
Direção: Shane Black

Roteiro: Drew Pearce e Shane Black, baseado nos quadrinhos de Stan Lee, Don Heck, Larry Lieber e Jack Kirby
Elenco: Robert Downey Jr., Gwyneth Paltrow, Rebecca Hall, Guy Pearce, Ben Kingsley, Paul Bettany, Don Cheadle, Jon Favreau, William Sadler, James Badge Dale, Stephanie Szostak, Stan Lee

Estreia 26/04







O Cinema está na Rede e também no Twitter O Cinema está na Rede e também no Facebook

Postar um comentário

 
Top