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Cena do filme "Dezesseis Luas"Pegue um adolescente no último ano do ensino médio, com seus 16 anos e sem mãe. Adicione um relacionamento com um ser sobrenatural que pode gerar a morte deste adolescente. Parece familiar?  Mas Ethan (Alden Ehrenreich) não é Bella e Dezesseis Luas não é Crepúsculo.  Tal qual seu antecessor, o roteiro aborda questões como bullying e diversidade religiosa, e é nesses momentos que Dezesseis Luas ganha personalidade. Mas se torna dispensável ao se afastar desses temas, e preferir transformar o protagonista Ethan em mais um menino frágil, ao invés  em um adolescente capaz de amadurecer com a luta por sua independência e para ficar ao lado da sua amada Lena Ravenwoods (Alice Englebert).


"Dezesseis Luas" busca mesmo público que Crepúsculo


Na esteira dos lucros da série Crepúsculo (me recuso a chamar de saga), Dezesseis Luas é uma adaptação do livro Beatuful Creatures de Margaret Stohl e Kami Garcia, que busca do começo ao fim se comunicar com seu público-alvo: meninas de 16 anos, ávidas por um romance “dark”, mesmo que na verdade seja leve, em tons de cinza. O longa conta a história de Ethan Wade, um jovem sem mãe, e de um pai ausente praticamente não visto em todo o filme, e que sonha em sair da pequenina cidade do interior dos EUA.  Porém, quando a família Ravenwoods retorna a Greenville, os cidadãos terão o desafio de aceitar a crença do outro, e Ethan, cansado daquele lugar, logo se interessa pela recém-chegada Lena.

Assim como os Cullen de Crepúsculo, o público passa a conhecer os Ravenwoods uma família de bruxos, ou “conjuradores” como eles preferem se chamar, e igualmente a série de vampiros aqui também o espectador irá encontrar um romance proibido entre a jovem feiticeira Lena, presa numa maldição que não permite amar nenhum mortal, e o nosso frágil herói Ethan Wade. Para mostrar a fragilidade de Ethan no começo do filme, o figurino é hábil ao investir em roupas largas mostrando-o sempre magrelo.

Um dos pontos fortes do filme está em abordar questões como a aceitação religiosa.  Lena sofre bullying na escola só porque sua família segue tradições diferentes das dos cidadãos de Greenvile, que em sua esmagadora maioria é protestante. Estes chegam ao ponto de querer expulsar a menina da única escola da pequena cidade, e realizam uma reunião na Igreja com o prefeito, o reverendo e o diretor da escola para dar o veredito. Aliás, é a melhor cena do filme, quando o chega o hábil e irônico tio Ravenwoods vivido  com maestria por Jeremy Irons, que consegue imprimir suspense em suas ações.

 Bullying e intolerância religiosa são temas de "Dezesseis Luas"


A direção de arte tem seu ponto alto ao construir Greenvile, uma cidade inserida dentro de um pântano, de uma gruta, o que remete às fábulas como Branca de Neve e João e Maria. Outro destaque os versos no quarto de Lena quando esta revela seu segredo a Ethan, ou a casa pós-moderna dos Ravenwoods,  opondo-se  ao conservadorismo local onde até os carros são rústicos e antigos.

Poster do filme "Dezeseis Luas"
Além de Jeremy Irons, como Maicoon Ravenwoods,  Alice Englebert constrói uma das melhores atuações do longa conduzindo com sutileza a relação de Lena com Ethan, o qual lamentavelmente o roteiro literalmente castra o personagem, constrói diálogos bobos e inverossímeis com os personagens e nos faz lembrar para quem o filme é produzido. Emma Thompson também se destaca ao interpretar a reacionária Sra Lincoln, que apesar do nome, chega a declarar a excomungação de liberais, democratas, comunistas e do Greenpeace numa discussão com sr Ravenwoods.

Thompson também vive a bruxa Seraphine, e faz um belo trabalho construindo uma vilã sádica que dá alguns sustos durante a projeção. Uma pena que o roteiro dê pouco espaço à personagem apresentando-a apenas no meio do filme.  Mas já é um grande passo, já que em Crepúsculo não observamos nenhum vilão interessante.

Realizando boas brincadeiras com a indústria cinematográfica, como a frase dita no cinema: “Todo mundo odeia continuações”; e também ao trazer uma reconstituição histórica dos EUA , a produção mostra que teria muito mais êxito deixando de lado o clichê bobo já imposto por Crepúsculo, e dando mais espaço aos embates que os protagonistas enfrentam pela suas crença

Por Danilo Zanini

Nota 7,0



Ficha Técnica

Dezesseis Luas (Beautiful Creatures) - 124 min.
EUA - 2012
Direção: Richard LaGravenese
Roteiro: Richard LaGravenese, baseado em romance de Margaret Stohl e Kami Garcia
Elenco: Alden Ehrenreich, Alice Englert, Emma Thompson, Viola Davis, Emmy Rossum, J.D. Evermore, Jeremy Irons, Kyle Gallner.

 Estreia 01/03


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  1. Mudou a historia do livro, o roteirista e o diretor não leram o livro, e as autoras se autorizaram a versão do filme, são umas toscam, adaptar é preciso, mas mudar o texto original, e, deixar de lado partes importantes como a telepatia existente entre o Ethan e a Lenna? Até o final ficou diferente, absurdo, ridículo, ODIEI!!!

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  2. acabei de chegar do cinema e vi dezesseis luas e fou mais legal que tudo que eu javi na vida de filmes eu ja vi tudo d que e filmes e nal elogio asim tao fasil

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