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Cena do filme "Na Neblina"

Na Neblina
 é uma obra-prima do cinema contemporâneo. Baseado em romance homônimo de Vasili Bykov, conta com direção e roteiro de Sergei Loznitsa (mesmo diretor do filme Minha Felicidade, 2010). O resultado é um filme bastante minimalista em número e elementos de cena, diálogos, trilha musical, nas emoções dos protagonistas e,ao mesmo tempo, ancorado em uma fotografia muito meticulosa e bonita,sonoplastia bastante inteligente e pragmática, estrutura temporal bem definida e coerente, mesmo que o ritmo seja mais lento, e riqueza interpretativa. É um ótimo filme, mas que pode exigir um pouco de paciência daqueles que preferem os ritmos mais acelerados.

O longa, que se passa na Bielorrússia sob ocupação alemã de 1942, narra o drama de Sushenya (Vladimir Svirski), Burov (Vlad Abashin) e Voitik (Sergei Kolesov). O primeiro é acusado de traição por não ter sido enforcado junto com três operários envolvidos no descarrilamento de um trem, e os dois últimos são partidários da resistência que têm como missão executar o suposto traidor Sushenya.


Tecnicamente perfeito, "Na Neblina" tem estética minimalista mas conteúdo eloquente


Buscando fazer uma crítica e não uma descrição de Na Neblina, convém dizer que o elemento que poderia merecer uma queixa, a trilha musical, está tão bem integrado à estrutura e estética minimalista do filme que passa a ser visto com certa admiração. A música surge uma vez e se você não prestar atenção, pode até não perceber que se trata de uma música.

Poster do filme "Na Neblina"A fotografia é um dos aspectos mais destacados do filme, tanto com relação ao enquadramento quanto ao equilíbrio de cores, lentes e movimentos de câmera. A sonoplastia se aproxima em qualidade da fotografia, sendo utilizada com muita parcimônia. Ela dá um certo volume à fotografia, mas apenas nos momentos e nas quantidades em que é indispensável e não surge como elemento autônomo. Nesse sentido,ela é bastante descritiva. Outros pontos fortes são os cenários, a maquiagem e o vestuário, todos muito bem cuidados.

O título do filme diz muito sobre ele, mas o que menos encontramos é o fenômeno meteorológico chamado neblina, que também é usado de forma bastante econômica. A expressão “na neblina” pode ser entendida melhor em seu sentido metafórico, que se expressa principalmente na estrutura do roteiro e na mensagem metafísica transmitida por Loznitsa. Assim, uma forma de aproveitar o filme é considerar o título em sentido figurado. Nesse aspecto, Loznitsa é bastante eloquente. O diálogos são curtos e extremamente econômicos em relação à extensão mas muito profundos em sentidos. Em que sentido aquelas pessoas estão na neblina? De que forma a situação política da Bielorrússia afeta as relações entre os membros daquela comunidade? Como e com que fundamentos cada um dos protagonistas escolhe as suas ações? Como agir e avaliar as próprias autoimagem e caráter quando não é possível provar a própria inocência? São muitas as questões que Na Neblina nos apresenta.

Enfim, Na Neblina é um filme que pode desagradar pelo ritmo um tanto lento e pelo minimalismo (apenas por uma questão de gosto), mas é muito coerente e bem feito.

Por Angela Gomes

Nota: 10


Ficha Técnica

Na Neblina (V Tumane) - 127 min.
Alemanha / Holanda / Bielorrússia / Rússia / Lituânia
Direção: Sergei Loznitsa
Roteiro: Sergei Loznitsa, baseado em romance de Vasili Bykov
Elenco:  Vladimir SvirskiyVladislav AbashinSergei KolesovNikita Peremotovs, Yuliya Peresild

Estreia: 01/03 (São Paulo)

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