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Cena do filme "Amorosa Soledad"
Produção argentina de 2008, apenas agora, fevereiro de 2013,  Amorosa Soledad estreia nos cinemas brasileiros; certamente por falta de espaço em meio às dezenas de blockbusters que chegam a cada semana às nossas salas de exibição. Perde o cinema, perde o público que finalmente tem a oportunidade de ver essa delicada comédia dramática.

Soledad (Inés Efron) é uma jovem hipocondríaca que cai em depressão ao terminar o namoro com Nicolás (Nicolás Pauls), músico que alega não ser o momento certo para se comprometer seriamente com ela.  Sua vingança consiste em lançar pela sacada a gaita do ex-namorado, que se espatifa no asfalto.

"Amorosa Soledad": a difícil busca da felicidade


Parece que tudo em sua vida vai mal: o vaso sanitário entope, o fecho do vestido emperra, ela esquece as chaves de casa e fica na rua debaixo da chuva com uma pizza na mão. Decide, então, que vai ficar três anos sozinha, para aprender a ser feliz sem ninguém ao seu lado. A decisão não resiste muito: na loja de decoração que tem com o amigo Javier (Diego Velasquez) conhece um arquiteto que a convida para sair. Por ironia do destino, ele também se chama Nicolás (Fabian Vena).

Poster do filme "Amorosa Soledad"
Em busca de si mesma, Soledad transita entre a melancolia e a esperança (não por acaso, nome da sua loja). Quando decide passar uma semana na praia, desiste de Búzios porque é mais apropriada para casais. Também não aceita a sugestão de ir a um lugar onde poderá conhecer pessoas novas. Se anima apenas quando a agente de viagens sugere um lugar do qual ela nunca ouvira falar, mas que tem um nome que a encanta: Fortaleza. 

Bela, culta, bem-sucedida e atrapalhada, Soledad só se sente bem mesmo em farmácias, onde compra aparelhos de medir pressão, termômetros e remédios que certamente não necessita. Mas, volta e meia tem sintomas, como dores no peito, enjoos, náuseas. Até as brincadeiras com a filha pré-adolescente da vizinha envolve adivinhar doenças.

No final, se emociona ao visitar a bela casa que Nicolás está construindo num agradável bairro da capital argentina. E percebe que a possibilidade de encontrar a felicidade a perturba. Nada que uma visita ao hospital da esquina não resolva.  

Produção não atinge potencial do argumento 


Delicado e sutil, Amorosa Soledad aborda o mal-estar que os jovens contemporâneos experimentam em diversas partes do globo. Narrado em ritmo mais lento que a maioria das produções atuais, com poucos personagens e sem efeitos especiais, talvez incomode as audiências acostumadas com tiros, explosões e edição estilo videoclip musical. Não atinge, porém, o potencial que seu argumento deixa transparecer.A onipresença de Inés Efron às vezes cansa. A participação antes afetiva que especial de Ricardo Darín, mais celebrado ator do país, não acrescenta absolutamente nada à trama. De qualquer modo, um filme interessante, daqueles que se vê e se discute depois.

Por Gilson Carvalho

Nota 7,5


Ficha Técnica

Amorosa Soledad – 85 min.
Argentina (2008)
Direção: Martin Carranza e Victoria Galardi
Roteiro: Victoria Galandi
Elenco: Ines Efron, Fabian Vena, Nicolás Pauls, Diego Velasquez, Monica Gonzaga, Ricardo Darín

Estreia: 22/02



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