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Cena do filme "A Viagem"Conhecidos pelo sucesso da franquia Matrix, os Wachowvskis assinam a direção de A Viagem, junto com Tom Tykwer, que foi responsável pelo curioso Corra, Lola, Corra (1998). A parceria resulta em um roteiro bastante peculiar, que acerta ao fugir do padrão, mas que peca pelo excesso de informação. Uma experiência que tentar provar que não existe ato isolado sem que haja consequências para um todo. No elenco, Tom Hanks, Halle Berry, Susan Sarandon e Hugh Grant.

"A Viagem" acerta na ousadia e no tom crítico, mas perde ao lidar com muitas histórias paralelas


“De cada crime e ato generoso, nasce nosso futuro” e “Eu não me submeterei a abusos criminosos”, frases como estas funcionam como uma espécie de ‘mantra’ e dão o tom da narrativa. Com um formato nada convencional, A Viagem acerta na crítica atroz e na inovação “roteirística”, mas o que é uma qualidade também pode ser um problema. Ao tentar dá conta de muitas situações paralelas, beira o confuso, deslize que poderia ser suavizado por uma edição mais criteriosa.

Na trama, pessoas com uma marca de nascença em comum se encontram em diferentes épocas e lugares e comprovam que as ações de cada um deles interfere no passado, presente ou futuro de todos. Fenômeno evidenciado pela máxima, “Do nascimento à morte estamos ligados a outras pessoas”.

Poster do filme "A Viagem"
Apesar de beber na fonte da reencarnação, o que poderia fomentar uma discussão religiosa, as reflexões feitas são pertinentes e apontam para os perigosos rumos que a sociedade toma e os erros que insiste em cometer. Desde a escravidão dos negros até o atual regime de trabalho imposto aos operários chineses, o longa levanta o debate sobre a condição humana e as relações em sociedade. Ao dar um salto até o ano de 2144, o diretor revela um olhar trágico sobre um mundo marcado pelos grandes avanços da biogenética, pela opressão e pobreza de valores éticos.

Para evidenciar os repetitivos equívocos do homem e reiterar a importância da atitude de cada indivíduo na mudança do coletivo, o roteiro costura as tramas vividas nos anos de 1934, 1973, 2012 e para além do século 21. Neste momento, o trabalho da equipe de artes e tecnologia digital assume papel essencial e cumpre a função; cenários e figurinos de épocas passadas são revividos e graças aos recursos de computação gráfica, a mente inventiva cria universos futurísticos interessantes.

Ao investir em diferentes momentos da história da civilização, o filme ganha ritmo, mas este exagero também o deixa um pouco confuso, são 172 minutos de exibição que poderiam ser encurtados, já que algumas passagens se tornam desnecessárias e se perdem em meio as situações chaves e de maior dramaticidade. Ainda assim, A Viagem lança mão de um olhar anticonvencional, tanto na forma quanto no conteúdo e faz considerações importantes sobre as ‘verdades’ impostas pelo senso comum, mas sem adotar um caráter didático.

Prós e contras do trabalho de caracterização


Para os atores, a ideia de interpretar personagens que a principio são os mesmos, mas em épocas  e condições distintas, pode ser um exercício desafiador e também um grande prazer para quem os assiste. Neste quesito, destaque para Jim Broadbent, que vai do trambiqueiro divertido ao detestável gênio da música e Hugo Weaving que está impagável na pele da enfermeira Noakes.

Cena do filme "A Viagem"As caracterizações favorecem o elenco nesta viagem artística, mas em determinados casos ficam forçadas, como na tentativa de fazer a atriz sul-coreana Doona Bae parecer uma aristocrata ruiva da década de 1930. Apesar do artifício, a sensação de repetição pode ser inevitável, afinal é o mesmo grupo de artistas. Ainda assim a experiência tem seu lado divertido, algumas maquiagens são perfeitas e o ator fica irreconhecível, o que torna a brincadeira de adivinhação instigante.

Nota: 8,0


Ficha Técnica

A Viagem (Cloud Atlas) - 172 min.
Alemanha, EUA, Hong Kong, Cingapura - 2012
Direção: Andy Wachowski, Lana Wachowski, Tom Tykwer
Roteiro: Andy Wachowski, Lana Wachowski, Tom Tykwer
Elenco Tom Hanks, Halle Berry, Jim Broadbent, Hugo Weaving, Jim Sturgess, Doona Bae, Ben Whishaw, Keith David, Keith David, James Darcy, Xun Zhou, David Giasi, Susan Sarandon, Hugh Grant.

Estreia 11/01 





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  1. VOCÊ DEVE ESTAR BRINCANDO A ATRIZ CHINESA TAMBÉM É A IRMÃ DE TOM HANKS NO FUTURO ESTA LOIRA E CAUCASIANA A MAQUIAGEM PERFEITA E A NARRATIVA É FANTÁSTICA NÃO É NEM UM POUCO CONFUSO O FILME, BASTA TER UMA INTELIGÊNCIA ACIMA DA MEDIANA.

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  2. Concordo com anônimo, penso de maneira parecida. O grande problema do filme é não é um prato degustável a qualquer consciência. Não é confuso, tem uma lógica que permeia do início ao fim, mas uma minoria que tem censo crítico e sabe apreciar coisas boas e que nos tempos atuais diferem daquelas produzidas por puro comércio e para agradar plateias desinteressadas por obrar que obriguem a consciência a pensar, refletir, analisar, buscar respostas nas entrelinhas das mensagens entre outros fatos. Um grande filme como há muito tempo não vejo, dará prejuízo, mas lucro as minorias. A grande pena é que por conta de uma crítica genérica e obtusa, que já está tão acostumada as produções pobres que surgiram nos últimos 10 anos, que acabam por desestimular a produção de outras futuras pérolas. O Cinema e a Tv tem atendido às massas emburrecidas e obnubiladas pala informação tipo "sardinha enlatada" tornando a humanidade acostumada ao subnível existencial, estagnável. "a máquiagem...péssima.., a atuação xxxx, poderia ter sido curto,,,,,,,o filme confuso. Coisas que nem o mito da caverna podem explicar. Excelente filme!!!!!!!!!, pena que só poderei ver outro dentro de uns 10 anos.

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