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Sabe aquele filme que de tão ruim, mas tão ruim, pode vir a se tornar um cult trash? O Resgate (Stolen, no original) é um ótimo candidato, ouro puro do cinema banal e preguiçoso. Pretensamente um longa de ação, consegue arrancar gargalhadas dos espectadores por cenas de humorismo involuntário. Se o diretor Simon West (de Os Mercenários 2 e Assassino a Preço Fixo) quis fazer cenas de perseguição eletrizantes, conseguiu bocejos, se quis fazer um duelo tenso entre mocinho e vilão, conseguiu fazer a plateia tremer de vergonha alheia. Resumo da ópera: temos uma barbada para um dos dez piores de 2013.


"Cena do filme "O Resgate"


Nicolas Cage e sua decadência encabeçam "O Resgate"
 


Quem encabeça o constrangimento total e irrestrito é o decadente Nicolas Cage, a cada ano nos fazendo crer que há um fundo falso no seu poço. Se foi capaz de fazer o tenebroso “Reféns” (2011) ao lado de Nicole Kidman, aventurou-se no abismo cinematográfico a personificar Will Montgomery, um ladrão de bancos genial, de fazer inveja ao velho MacGyver da série televisiva com suas ideias simples, originais e, claro, estapafúrdias para nossa realidade comezinha. Seu roubo de barras de ouro se mostra mais simples que tomar um copo d’água, por exemplo. Passará um pouco menos do que os 96 minutos de filme correndo atrás de sua filha sequestrada pelo seu antigo comparsa, Vincent (o caricatural Josh Lucas), mantida trancada dentro de um porta-malas de um táxi. Terminará numa briga de chorar de rir com o vilão perneta que nunca morre.

Nem vale mais a pena comentar como um ator que chegou ao Oscar de melhor ator por uma bela atuação como um alcoólatra em Despedida em Las Vegas (1995) se tornou quase um símbolo de roteiros remendados por produtores e dirigido por seguidores de fórmulas prontas. Se conseguisse boas bilheterias seguidamente, até se entenderia seu gosto por tais pastiches, mas não é o caso. O Resgate teve um custo estimado em 35 milhões de dólares e não chegou a fazer 200 mil no seu fim-de-semana de estreia em setembro de 2012, uma estatística pífia para o mercado americano. O público em sua grande maioria quer entretenimento caprichado, do contrário gera prejuízos incalculáveis para os que acham que cinema é linha de montagem.

Os ingressos são resgatados ao fim da projeção?


Poster do filme "O Resgate"
Para não dizer que não há nada de bom em O Resgate há um minuto de boa música quando, logo no início da trama, o personagem de Cage põe pra tocar no carro Creedence Clearwater Revival. Os ladrões estão de tocaia para cometerem mais um prosaico roubo e a conversa gira em torno da superstição do líder em ouvir a velha e boa banda sempre antes de seus crimes. É de se pensar que não seria má ideia se ficassem lá por mais 95 minutos discutindo o tema. O roteiro seria melhor, a trilha sonora também e atuações idem. E a plateia não teria que pedir enfurecida o resgate do seu ingresso ao fim da projeção.

Por Rafael Fabro
Nota 1
 
Ficha Ténica
O Resgate (Stolen) - min.
EUA - 2012
Direção: Simon West
Roteiro: David Guggenheim
Elenco: Nicolas Cage, Malin Akerman, Josh Lucas, Danny Huston, Sami Gayle



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