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Poster do filme "Infância Clandestina"

A brutal ditadura militar na Argentina, que durou de 1976 a 1983, deixou muitas cicatrizes, fonte para diversos filmes. Um deles é Infância Clandestina, candidato do país ao Oscar 2013 de Melhor Filme Estrangeiro. 


A ditadura vista através dos olhos de um menino em "Infância Clandestina"


Juan (Teo Gutiérrez Romero), um menino de onze anos, é obrigado a viver na clandestinidade. Junto com seus pais, Horácio (César Troncoso) e Cristina (Natália Oreiro), militantes esquerdistas, foge para Cuba e após algum tempo, volta para seu país sob identidade falsa. Na capital argentina, tenta retomar a vida normal: adota um novo nome - Ernesto, em homenagem a Che Guevara, frequenta uma nova escola, tenta disfarçar seu sotaque cubano e fazer novos amigos. 

Poster do filme "Infância Clandestina"
Enquanto procura se adaptar, Juan/Ernesto testemunha a atividade política de seus pais. Vivendo como um menino comum  na maior parte do tempo e até sofrendo para entender o que se passa, ao lado de sua irmãzinha de menos de um ano, é às vezes confrontado por situações incômodas e até perigosas. Assim, ele vai crescendo, tendo o tio Beto (Ernesto Altério) como amigo e confidente.

A militância política e a vida na clandestinidade, porém, não impedem totalmente que a família tenha uma convivência harmônica, com muito carinho e companheirismo, tanto entre eles como com outros militantes. São comuns os saraus, os "asados", as confraternizações, sempre com muita cautela. Até uma festa de aniversário do menino é realizada, com a presença dos colegas da escola, incluindo o seu primeiro amor.

Baseado em fatos reais, Infância Clandestina conquista pela simplicidade da narrativa, o que permite perceber o ótimo trabalho do fotógrafo Gustavo Giani, que matiza a produção com cores relacionadas aos sentimentos dos personagens. Uma ótima ideia foi apresentar os momentos de violência, como por exemplo, quando militantes são abatidos, em forma de graphic novel, amenizando um pouco a crueza dessas cenas. 

Elenco e fotografia são destaques 


O grande destaque, porém, é a atuação do garoto Teo Gutiérrez Romero. Ele faz um Juan totalmente crível, sensível e adorável, na descoberta das dores e alegrias do mundo. Natália Oreiro, mais frequente em comédias românticas, faz com competência a mãe dedicada, mas engajada na causa, e Ernesto Alterio acrescenta toques de humor e candura a uma realidade quase insuportável. 

As semelhanças culturais e circunstâncias históricas fazem com que haja uma enorme identificação com o Brasil. Fica uma nítida sensação que poderia ter acontecido no Rio de Janeiro, São Paulo ou qualquer outra grande cidade brasileira. Há inclusive certa semelhança com O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias (2006), de Cao Hamburger e com Machuca (2004), do chileno Andrés Wood, que também retratam os horrores dos regimes ditatoriais através do olhar de uma criança.


Nota 9



Ficha Técnica

Infância Clandestina - 112 min.
Argentina/Espanha/Brasil - 2011
Direção: Benjamin Ávila
Roteiro: Benjamin Ávila, Marcelo Muller.
Elenco: Teo Gutiérrez Romero, Natália Oreiro, César Troncoso, Ernesto Alterio, Cristina Banegas, Violeta Palukas.

Estreia 7/12




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