0

Compartilhe este conteúdo |




O Homem da Máfia é um típico exemplo de título que deveria ser fiel ao original, Kiling Them Softly. Encontrar palavras adequadas para criar um nome vendável, talvez, seja algo complicado, ainda mais neste caso em que a tradução exata seria ‘Matando-os Suavemente’. No entanto, a forma e a concepção do filme tendem para essa ideia, tanto na referência aos efeitos provocados pela economia e cultura norte-americana, quanto pelos assassinatos cometidos pelo matador de aluguel.




 

Crítica aos Estados Unidos com direito a violência, gângsteres e cinismo



Dirigido pelo neozelandês Andrew Dominik, O Homem da Máfia investe em cenas violentas, regadas a muito sangue e aponta a situação vivida pelos personagens como um resultado da política e cultura norte-americana. Apesar do conteúdo ácido, é a montagem ousada que confere status ao filme, que se diferencia das produções do gênero. Cortes secos, som bem marcado e trilha sonora irreverente provocam diferentes sensações.

Na trama, Brad Pitt interpreta o assassino profissional Jackie, contratado por uma corporação criminosa que mais parece um órgão governamental. Ele tem a função de restabelecer a ordem e punir todos os envolvidos no assalto cometido a uma das casas de carteado gerenciada por Markie (Ray Liotta), enredo ideal para um verdadeiro rio de sangue.

Poster do "O Homem da Máfia"
Os minutos iniciais do filme intercalam imagens de um ambiente decadente com o discurso de Barack Obama durante a campanha presidencial de 2009. São cortes secos, que dão o tom da narrativa que apesar de investir no slow motion em um momento específico, mantém o ritmo dinâmico. As experiências visuais propostas pelo diretor são bem variadas e pouco usuais, como a cena em que o viciado Russel (Ben Mendelson) está prestes a desmaiar de sono. está prestes a desmaiar de sono.

Nesta mesma linha, o som foge do tecnicamente correto e como uma forma de experimentação, ultrapassa os decibéis normalmente utilizados. A trilha musical investe em temas românticos das antigas, dentre eles, Love Letters interpretado por Ketty Lestter e The Paper Moon na voz de Cliff Edwards, o que serve de contraste aos crimes violentos.

Por vezes, o diretor parece beber na fonte de Tarantino e tenta mesclar violência e irreverência, no entanto, o universo proposto por ele é diferente, não existem personagens femininas destemidas ou figuras admiráveis, mesmo que politicamente incorretas. Pelo contrário, são representações de típicos homens caucasianos com uma mentalidade machista e muitos deles com um aspecto repulsivo. Tudo isso é ressaltado pelos diálogos e, talvez, por isso o mercenário vivido por Brad Pitt se destaque como alguém agradável.

Um aspecto que merece destaque na obra do diretor é o cuidado com o requinte de detalhes, no primeiro assassinato, há uma desaceleração das imagens, onde cada gotícula de sangue e bala disparada pode ser vista. A tecnologia não é uma novidade e foi bastante utilizada na franquia Matrix, mas a ideia de ilustrar o ponto de vista do matador sobre a morte de suas vítimas é um aspecto bastante interessante. Mas isto é logo contraposto por sequências realistas de assassinatos brutais, rápidos, secos e sem direito a música.

Política, degradação e América sem expectativas de vida


Durante toda a narrativa, são exibidos trechos de discursos de Obama, o que propõe um contraponto com a história. Em uma das cenas, enquanto o atual presidente fala sobre a qualidade da mão-de-obra norte-americana, o matador de aluguel repreende um dos capangas que tenta pegar a gorjeta deixada na lanchonete. Uma forte referência à crise vivida pelos americanos em um período com índices preocupantes de desemprego.

Apesar do discurso, às vezes, autoritário, o longa levanta questões relevantes sobre a imagem de nação intocável e exemplo de democracia dos Estados Unidos. Levando em conta as falas do personagem de Pitt, será que esta é realmente a terra das oportunidades? Em meio a tantos tiros, comentários misóginos e algumas piadinhas duvidosas, O Homem da Máfia lança um olhar cínico sobre a terra do Tio Sam.  

Nota: 8



Ficha técnica

O Homem da Máfia (Kiling them Softly) - 97 min
EUA-2012
Direção: Andrew Dominik
Roteiro : Andrew Dominik e George V. Higgins
Elenco: Brad Pitt, Ray Liotta, Richard Jenkins, Scooty Macnairy, Ben Mendelsohn, James Gandolfini

Estreia 30/11


O Cinema está na Rede e também no Twitter O Cinema está na Rede e também no Facebook

Postar um comentário

 
Top