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Nadine Labaki (mesma roteirista e diretora do filme Caramelo) está muito bem no triplo papel de roteirista, diretora e atriz desempenhado em E agora, aonde vamos? Mas o sucesso do filme não se deve apenas ao seu esforço. Ela divide o protagonismo com um grupo de mulheres empenhado em impedir que as notícias sobre os conflitos religiosos entre muçulmanos e cristãos, que acontecem no país, levem os homens da aldeia à briga e à morte. O resultado é um longa bonito e rico em emoções, com um ritmo que mantém o público atento e envolvido (gargalhando ou até chorando).

Cena do filme "E agora, aonde vamos?"

"E agora, aonde vamos?" mostra força das mulheres



E agora, aonde vamos? se apoia em um roteiro repleto de conflitos. As condições precárias de acesso a outras cidades e de comércio, além do atraso tecnológico e urbano são bem retratados por Labaki, bem como o vestuário e os costumes dos personagens, que algumas vezes nos fazem esquecer se tratar de uma ficção. Como em Caramelo, o êxito também se deve, especialmente, a um grupo de mulheres: Takla (Claude Baz Moussawbaa), Amale (Nadine Labaki), Yvonne (Yvonne Maalouf), Afaf (Layla Hakim) e Saydeh (Antoinette Noufaily), que têm em comum o luto e a dor. Elas conseguem dividir o protagonismo de forma bastante equilibrada e mesmo Labaki, com sua beleza e juventude, não ofusca a atuação das atrizes mais maduras.

Poster do filme "E agora, aonde vamos?"O filme tem uma atmosfera um tanto inocente, lembrando um pouco os trabalhos de Radu Mihaileanu. É interessante a forma como ela mostra a relação dos dois gêneros com a religião: homens que tendem a reforçar suas crenças religiosas e lutar cegamente por elas, e mulheres que são capazes de abrir mão de suas religiões em favor da paz. No fim, E agora, aonde vamos? trata justamente da forma não violenta e criativa que elas empregam para resolver conflitos e lutar por seus objetivos. E a parte boa é que essas personagens são muito engenhosas, persistentes e unidas no esforço de acalmar os ânimos dos homens da aldeia, gerando situações muito engraçadas.

Enfim, juntando a isso, uma boa fotografia e uma trilha musical empolgante, resulta que a abordagem de Labaki é bastante delicada, trabalhando muito bem os momentos de comédia e de drama. Esse filme nos faz pensar sobre a arte do cinema, a técnica em função da história. A diretora tinha uma história para contar e o fez muito bem.

Por Angela Gomes
Nota: 8.5








Ficha Técnica

E agora, aonde vamos (Et Maintenant, On Va Où?) - 110 min.
França, Egito, Líbano, Itália - 2011
Direção: Nadine Labaki
Roteiro: Nadine Labaki, Jihad Hojeily, Rodney Al Haddad
Elenco: Nadine Labaki, Claude Baz Moussawbaa, Yvonne Maalouf, Layla Hakim,  Antoinette Noufaily e Julian Farhat

Estreia: 15/11


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